Correntes e laços (+18)

 

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Escrito por Naiane Nara

 

Esse texto não é recomendado para menores de dezoito anos. Todos os fatos aqui descritos são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas e acontecimentos reais é mera coincidência.

 

Nami não podia explicar para si mesma o que estava fazendo. Pelo menos, não racionalmente. E racional era algo que ela havia aprendido a amar ser nos últimos dois anos.

Girava a chave do carro entre os dedos, nervosa. Não devia ter dirigido sozinha até o aeroporto. A ocasião era atípica demais para que ela acrescentasse o pavor que tinha de dirigir.

Mas agora era tarde. Já havia deixado sua mãe na casa de uma amiga e ela havia obrigado Nami a pegar o carro para buscar quem estava esperando. Ainda se lembrava da risada zombeteira da matriarca, ao dizer que não tinha mais idade para segurar vela.

Nami suspirou. Olhou mais uma vez para a tela de bloqueio do celular, onde estava a foto dele sorrindo despreocupado, a bagunça do quarto transparecendo por trás. Só aquele sorriso para fazê-la desejar percorrer aquela estrada desconhecida de novo.

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Memórias

 

 

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Escrito por Naiane Nara

O entardecer traz o manto da noite mais uma vez, sem dar trégua ao calor. O tempo abafado me faz ansiar por chuva. A garganta seca anseia por falar, mas não tenho quem me ouça, então quedo-me a observar o horizonte em transe, tentando não pensar em nada. Não pedirei água, ainda não. Quero evitar os olhares de compaixão e pena dirigidos as minhas rugas, minha idade deveria inspirar respeito e não dó, mas por causa do abandono, o que me resta? Apenas engolir a saliva amargamente e me ater ao ferro da minha alma a fim de que não me permita chorar. Basta de lágrimas, elas não mudarão nada.

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Elizabeth Regina

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Escrito por Naiane Nara

 

Anos depois daqueles acontecimentos, eis que estou parada, quase sem respirar, quedada a tentar estancar a dor. Pensei ser forte, pensei ter superado os acontecimentos do meu passado, porém vejo que não é verdade. Se algo tão pequeno e simples pôde fazer sangrar novamente uma ferida profunda, é por que essa ferida jamais foi cicatrizada realmente.

Nunca houve um fim, nem haverá; essa é a maldição da minha família.

Jamais poderá imaginar pelo que passei para ter essa coroa cingindo a minha fronte. Quantas boas pessoas morreram, quão perto da morte eu mesma fiquei. Tive que tornar-me ferro, ou não sobreviveria a este mundo.

Não só sobrevivi, como venci. Sento no trono dos meus ancestrais, governo o meu país sem precisar ter me acorrentado a essa instituição horrenda a que chamam casamento.

Mas bastou um pedido para deixar a poderosa Rainha em prantos, sangrando por dentro dia e noite. O fato de ter partido de alguém que amo, pouca coisa que restou do que posso chamar de família, torna tudo pior.

Encaro o rolo que contém o pedido ainda sem acreditar: como meu querido primo, que muitos dizem ser meu irmão, pôde propor-me uma zombaria dessas?

Meu primo Henrique, Barão de Hunsdon, a quem confiei tantas missões e que sempre fora bem sucedido para mim… Solicita um dos títulos de nosso avô em seu nome, já que não posso ser considerada uma herdeira direta.

Conde de Wiltishire.

Nenhum problema se encontra em fornecer um novo título a meu primo – ele é meu enviado em difíceis missões, sejam no campo de batalha ou diplomáticas e sempre tem uma vitória a me oferecer quando retorna – mas por Deus, pelos Santos, qualquer título menos este.

Qualquer riqueza menos essa, não esse cargo que custou o sangue da minha mãe.

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