Amizade

Por: Bruno Gomes

Se não me falha a memória
Meados de fevereiro
Nascia uma amizade
Com uma mensagem de texto
Na época desempregados
Falávamos madrugada a dentro
O que nos faltava de dinheiro
Sobrava de tempo
Então o tempo passou
Já fazem três anos e meio
As vezes me pergunto
Como é que te aguento?
Na real agradeço a Deus
Brincadeiras a parte
Por ter você na minha vida
Pela nossa amizade

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A Fome – (Part. 2)

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Capítulo 2 – Renascimento

Escrito Por: Alfredo Dobia

“E se os nossos olhos vissem almas ao invés de corpos? Quão diferente seriam nossos padrões de beleza?” 
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– Você acha mesmo que ela está pronta? Ela tem só 15 anos.
– A gente começou com 12 lembras?
– É diferente, nós fomos desbloqueados aos 5 anos e crescemos perto da nossa espécie. Ela cresceu com a mãe, que não passa de uma humana comum…
Às vozes que ouvia me pareciam familiar. Parecia um casal conversando. Eu ainda estava inconsciente e deitada em uma cama de solteiro e não percebia quase nada do que eles falavam. Será que estou sonhando? Olhei a minha volta e avistei as paredes de ferro que me cercavam. Parecia uma sala de contenção. Me belisquei ainda incrédula de que aquilo não passava de um mero sonho, mas foi inútil e o máximo que pude conseguir foi alertá-los de que os estava ouvindo.
– Você está bem? – Perguntou o rapaz.
Agora mais perto de mim eu pude dar conta de uma das vozes. Era o Berthos. Ele parecia mais sério e lançava sobre mim um olhar sombrio que me deixava ainda mais espavorida.
– O que é isso Berthos? – eu perguntei tentando entender.
Me dei conta que estava amarrada na cama e não sabia droga nenhuma de onde estava.
– Relaxa, você vai saber. – ele respondeu contorcendo o nariz.
– O que vocês estão fazendo comigo? Porquê me amarraram? – tentei me levantar mas uma forte dor de cabeça se apoderou de mim, e eu dormi novamente.

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Voltei a acordar e dessa vez parecia mais lúcida. Olhei novamente para os meus braços e já não estava amarrada. A dor de cabeça havia desaparecido. Três pessoas estava no meu quarto. Um deles eu conhecia. Era o Berthos, mas as outras duas eu não fazia a mínima ideia de quem eram.
– Prazer, sou a Bianca. – Uma das jovens falou se aproximando de mim. – Nossa você é ainda bem mais bonita de perto.
– Você pode por favor me dizer o que diabos estou fazendo aqui?
– Você está aqui porque precisa ser protegida e ensinada a se proteger. – Respondeu outra moça.
– Protegida de quê? Do que vocês estão falando?
– Dos homens do círculo… – Berthos respondeu – eles estão procurando você e não vão descansar até encontrá-la.
Franzi a testa atónita.
– Quem são esses homens do circulo e porque eles estão atrás de mim?
– Eles são caçadores – Bianca voltou a falar. – Ela era meio sinistra. Parecia gótica. Suas vestes pretas, suas unhas pintadas da mesma cor e o seu corte de cabelo bizarro a davam um ar assombroso. Tudo nela me assombrava, mas não podia mentir que ela era muito bonita. Seus olhos eram profundos e misteriosos como a morte.
– O circulo é uma organização secreta do governo criada apenas para matar pessoas como nós.
– Nós. Porque eles eles querem nos matar. O que a gente fez?
– A gente é diferente deles. Os humanos sempre tiveram medo do que é diferente. A gente é uma espécie de híbrido. Mas esse cognome já foi ultrapassado. Preferimos nos chamar de Humánimol.
– Huma… quê? Perguntei ainda sem entender patavina nenhuma do que ela acabara de dizer.
– Humánimol – respondeu a outra jovem se aproximando de mim. – Ao contrário da Bianca ela parecia bem mais solene. Suas vestes escarlates, acompanhavam lindamente com os seus olhos e seu sorriso me transmitiam segurança e controlo. Não sei porque, mas algo me dizia que iria gostar dela, mas aí lembrei-me da minha mãe e de como me arrependo em não lhe dar ouvidos em nunca confiar em estranhos. Então abanei a cabeça e ignorei toda fagulha de confiança que podia ter por ela.
– Nós somos meio homem e meio animal – ela continuou.
– Deixa-me adivinhar, a gente é lobisomem é isso? – perguntei de modo deboxado.
– Não, a gente é todo animal que existe na terra.
Eu ri disso.
– Isso é alguma piada certo? Ahm, já sei. Nós estamos nesses programas de apanhados. Podem parar que já deu.
Naquele momento Bianca se transformou em uma pantera linda enorme e de plumagem exageradamente preta. Era lindo e assustador ao mesmo tempo. Eu corri pra junto do Berthos. Apesar de não confiar mais nele. Ele era o único que eu conhecia naquele meio, ou pensava conhecer.
– Fica descansada. Ela não vai lhe fazer mal. Berthos disse enquanto a fera nos olhava.
– Todos nós somos um animal diferente.
– Como assim? – Eu quis saber mais.
– A Bianca é uma pantera, eu sou um lobo e a Valkiria – ele apontou pra outra jovem. Ela é uma Múltipla.
– O que é uma Múltipla?
– Os Múltiplos são os Humánimol especiais. Eles são os únicos que conseguem se transformar em mais de um animal. Eles podem ser o que quiser.
– Ok. – eu respondi voltando a me questionar se não estava mesmo a sonhar nem em um desses programas de TV.
– E o que eu sou. – perguntei.
– A gente ainda não sabe.
– Desconfia-se que também sejas uma Múltipla, mas isso é pouco provável. Os Múltiplos se activam muito cedo e você ainda não se activou completamente. E isso é uma das razões que fez te trazermos aqui. O Conselho dos Humánimol acha que você pode ser uma Levítica. E por isso tens de ser supervisionada até sua transformação total.
É claro que eu não fazia ideia do que Lévictica quer dizer, e pela expressão facial dela ao falar, não me pareceu boa coisa. Então perguntei.
– Você vai me explicar o que é Levítuco ou vou ter que perguntar?
– Desculpa. – Valkiria respondeu…- Levíctivo é a espécie mais perigosa dos humánimol e só existem dois na terra. Um é o teu pai. O líder do circulo e outro o seu irmão mais velho. Ambos pertencentes ao circulo.
– Espere um pouco, agora já basta. Quem vos disse que eu tenho um irmão mais velho. Nem eu sei que tenho um irmão e que história é essa do meu pai ser isso que você acabou falando. Vocês devem procurar um médico. Isso que vocês andam fumando deve ser muito forte.
– Pergunte a sua mãe. – Bianca falou voltando a sua forma humana novamente.
Algo me chamou atenção. Nos filmes de lobisomens, eles sempre ficavam sem roupas após uma transformação. Mas ela voltou com suas vestes no corpo. Eu queria perguntar como aquilo era possível mas minha cabeça voltou ao que ela disse.
– Minha mãe? O que vocês vão me dizer agora? Ela também é uma Humánimol, Múltipla, Levítica ou o quê ahm?
Eles se entre-olharam e parecia que estavam escondendo mais coisas.
– Você precisa descansar. Conversamos mais amanhã. – Valkiria disse me fazendo a mesma coisa que o Berthos havia feito na noite da festa.
Estava na cara que estavam escondendo algo e era grave. O que eles sabem sobre minha mãe que não podem me contar agora? Me senti cansada novamente, mais uma vez meus olhos estavam ensonados e não demorou muito pra eu apagar.

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A Vila Assombrada – (Capítulo 1)

Capítulo 1 – A História das Criaturas da Noite

Escrito por: Sweet Zompira

Havia uma pequena e antiga vila no meio de uma pequena floresta que ficava em cima de uma grande montanha. Nela habitavam não mais do que vinte famílias, fruto dos seus antepassados. Eles viviam da agricultura e da criação de animais domésticos. Todos os habitantes da vila tinham suas funções – das mais pequenas às mais importantes – até mesmo as crianças. A vila Uzua era protegida por uma grande cerca de madeira que marcava fronteira com a floresta. Eles eram felizes? Sim. Às vezes, mas somente durante o dia. Essa situação se devia ao facto de que todas as casas da vila estavam marcadas com uma cruz de sangue humano na porta. E até ao pôr-do-sol todos tinham que estar dentro de suas casas. Porquê será? Porque quando a noite chegava elas apareciam. Os habitantes nunca as tinham visto mas sabiam que elas existiam, porque sentiam o medo e aberração percorrendo o corpo deles. Eles as chamavam de “As Criaturas da Noite”. Qualquer inocente poderia pensar que era só histórias dos anciãos, mas não era isso que o número de pessoas desaparecidas indicava.

— Pai é verdade que nunca ninguém as viu? — Perguntou a pequena Juliana olhando atenta para o seu pai. O sol já tinha desaparecido e estavam todos em casa, aconchegados à pequena lareira, pois o frio se fazia presente nesta noite.

— Eu não creio que seja verdade. Se ninguém nunca as viu então elas não existem — disse a outra menina, irmã menor da Juliana, a Adriana. O pai delas, Mic sorriu para as duas. Ele sabia que não devia sorrir porque o que ele dirá a elas não se tratava de brincadeira. Mas o álcool percorria já as suas veias devido ao maruvo1 que ele mesmo fizera. Beber era um problema que ele não pensava em deixar. Coisa que irritava bastante a sua mulher Isvânia.  

— Minhas filhas, é verdade. Meus tataravôs foram sugados pelas criaturas da noite. 

— Ainda assim, para mim não parece verdade — falou a Adriana, um pouco céptica quanto ao assunto.

— Cuidado com o seu cepticismo, filha — disse a Isvânia olhando para sua menina. — Ele pode colocar-te em perigo.

— E porquê nunca tentaram matá-las, pai? — Perguntou a Juliana. A curiosidade vivia com ela. Apesar de ser a filha mais velha dos Anjel, parecia ser a menor.

— Nossos antepassados já tentaram, filha. Mas desapareceram como todos que tentaram saber mais sobre elas. O nosso único jeito de nos manter vivos é respeitando as regras da vila. Agora, vão para cama que já está tarde. — Obedientes, as duas irmãs se levantaram do tapete, desejaram boa noite aos pais e foram para o quarto delas. — Nós também temos que ir, Mic — disse a Isvânia levantando o seu marido. Ele sorriu.

— Você é boa mulher.

Na manhã seguinte o sino tocou trinta minutos antes do sol se pôr e todos começaram a preparar suas coisas para levar dentro de casa e fechar as casas dos animais. Quando faltavam mais ou menos dez minutos, um grupo de homens voltava para vila com algumas madeiras. Desceram dos seus cavalos e saudaram as suas famílias. Isvânia se alarmou quando não viu o seu marido Mic.

— Senhor Dobia, onde está o meu Marido?

— Infelizmente o perdemos de vista, senhora Anjel — disse com pesar. — Quando nos apercebemos de sua ausência, procuramos por ele na floresta mas tivemos que voltar por causa do tempo. Sinto muito. — A olhou com dor e culpa. As lágrimas imediatamente tomaram conta dos lindos olhos da Isvânia. — Acalme-se por favor, o sol ainda não se pôs completamente. Talvez o senhor Anjel apareça antes de o sol se pôr completamente. — Isvânia assentiu com a cabeça, mas algo no seu coração a dizia que seu marido não voltaria mais. Com toda a dor, ela entrou em casa junto com suas filhas que também estavam assustadas com o atraso do pai.

CONTINUA…

OBS: PT. Português Portugal

1 – Maruvo é uma bebida de Angola resultante da fermentação da seiva das palmeiras.

Carta de Despedida parte 2

Por: Bruno Gomes

Não sou aquela,
Que eu queria ser.
Não adianta explicar,
Ninguém é capaz de entender….

Quem eu queria ser está perdida,
Sequer posso lembrar na verdade.
Em busca dela fui,
Até perto da insanidade!

Respiro minha essência ,
Mas não sei qual cheiro minha alma exala .
Tento saber quem sou,
Mas a muito, o meu eu não fala nada.
Provo o veneno diariamente,
Mas do meu ego não sinto sabor,
Até tento pintar meus dias,
Mas ainda sim, eles permanecem incolor.

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Carta de Despedida

Por: Bruno Gomes

Talvez eu devesse ser como você,
Mas eu nunca seria,
Com sorriso no rosto,
Mas reclamando da vida.

Não, ao contrário do que pensa,
Não gosto de me expor,
Prefiro ficar quieta na minha,
Trancada com minha dor.
Que dor é essa? Não sei,
Nem a psicologia explica,
Cansei de viver rodeada
de médicos e psicanalistas.
A muito tempo luto,
Mas esse momento chegaria,
Toda a força se esvai,
Então chegou esse dia…

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