The Bite Pt. 3: Lobo em Pele de Cordeiro.

Por: Natasha Morgan

Karen

Sua fome chamava Karen.
Fartar-se em meio a sangue e carne na casa de seu amante não fora o suficiente para aplacar a fome daquele monstro que se escondia em suas profundezas.

Queria mais.

Lorah não era estúpida. Sabia o que tinha feito. Sabia o que estava se tornando. Quando o sangue acumulado em seu corpo escorria pelo ralo do banheiro enquanto ela se limpava na segurança de sua casa, deu-se conta do que havia de errado com ela.
Mas ao invés de fugir, de procurar ajuda ou lamentar por Luke, ela abraçara sua maldição. Ou como quer que chamassem aquilo.

Gostava da sua fome. Da sensação do sangue explodindo em sabores em sua boca. Gostava do sabor da carne humana e a forma como ela como ela cedia, como manteiga, sob seus dentes e garras. O formigamento sedutor que se espalhavam por seu corpo lentamente, prometendo leva-la a orgasmos jamais sentidos antes.

Ela se lembrava de tudo.

E queria mais.

Karen.

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Coração de Ébano

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Por: Natasha Morgan

 

As sombras sempre a acolheram num abraço sedoso. Roçavam sua pele com pequenas carícias geladas, aquelas brumas escuras e sedutoras. O frio era bom, envolvia sua alma com gentileza. Era acolhedor. Seco. Intrínseco.

Num abraço, num roçar ocasional, ela sempre se sentira acolhida.

Ou não sentira absolutamente nada.

As sombras a tornaram fria. E o frio era bom.

Ao menos sempre se sentira extremamente confortável.

Scatha a reivindicou como sua filha anos atrás, forçando-a a abraçar as sombras que ela tanto temia e trancafiava dentro de si. Quando as deixou entrar libertou-se por completo. Deixou para trás a garota amedrontada, sentimental e insegura que fora Báirbre e se tornou a mulher de sombras.

Ebony.

Não sentia.

Absorvia. Continuar lendo “Coração de Ébano”

The Bite Pt. 2 – Fome Abrasadora

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As pessoas no trabalho a encaravam de forma diferente, uma certa cautela espreitava os olhos deles. Sempre recuavam um passo conforme ela se aproximava e mantinham uma distancia estudada.

Karen não estava, como ela já deveria supor. Sua mesa meticulosamente arrumada encontrava-se vazia. Exceto por uma carta sofisticada deixada propositalmente próxima a um porta-retratos com uma foto das duas. O envelope era vermelho, selado com uma fita de cetim. Seu nome constava numa letra cursiva muito elegante.

Lorah a abriu.

No interior havia um cartaz convidando todos para a festa da lua que aconteceria em alguns dias, num galpão abandonado no centro da cidade.

 

Espero você lá.

                            Beijos,

                                               Karen

 

A letra e o convite de Karen eram tão sensuais quanto seus lábios rubros.

Lorah guardou o envelope em suas vestes e mal percebeu que estava sorrindo. Continuar lendo “The Bite Pt. 2 – Fome Abrasadora”

Pavilhão Cinza Pt. 3- O Resgate de um Corpo

Por: Natasha Morgan

O negociador estava atrasado.

Em trinta anos de carreira acadêmica, chefiando os interesses da universidade sempre tratou da negociação dos espécimes na hora exata.

O comércio era simples e dentro da legalidade. Ao menos ninguém jamais cogitou inquirir a universidade acerca de onde conseguiam os corpos para os alunos estudarem. Ambos os lados lucravam. O conhecimento e o cofre do Colônia.

O dinheiro era entregue e os carniceiros – assim os chamava Palmer devido à aparência grotesca – descarregavam o caminhão nos fundos da instituição, longe dos olhos curiosos dos alunos. Não precisavam saber de onde vinha a matéria prima para seus estudos.

Palmer era um estoico. Sempre elegante em seu tweed cáqui. A ideia de corpos misteriosos vindos de um hospital psiquiátrico não lhe assombrava as noites desde que houvesse um meio para seus alunos aprenderem e se tornarem excelentes profissionais. A causa da morte não lhe era pertinente. Nem os meios pelos quais eram transportados ou a sepultura vazia que deixavam diante de mães chorosas.

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Sob Olhos Sombrios, Pt. 03

Joy sovava a massa de pão naquela noite.

Algo que gostava de fazer, misturar seus grãos e toldar aquela maçaroca num fabuloso pão caseiro e integral.

Mark já havia prometido que os quitutes da esposa eram fabulosos.

E vendo a madrasta trabalhar com as mãos enérgicas, Ernest acreditara.

Seus passos, sempre silenciosos, desceram a escada angulosa de madeira, levando-a para as dimensões calorosas da cozinha. Foi onde encontrou a madrasta, cantarolando enquanto trabalhava.

Acanhada, mas não contendo a curiosidade, Ernest se aproximou e sentou numa das cadeiras, observando-a.

Joy sorriu.

– Quer me ajudar?

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