A Fome – (Part. 2)

67319668_401846263779466_5344738374945079296_n

Capítulo 2 – Renascimento

Escrito Por: Alfredo Dobia

“E se os nossos olhos vissem almas ao invés de corpos? Quão diferente seriam nossos padrões de beleza?” 
……………………………………………………………………………………………
– Você acha mesmo que ela está pronta? Ela tem só 15 anos.
– A gente começou com 12 lembras?
– É diferente, nós fomos desbloqueados aos 5 anos e crescemos perto da nossa espécie. Ela cresceu com a mãe, que não passa de uma humana comum…
Às vozes que ouvia me pareciam familiar. Parecia um casal conversando. Eu ainda estava inconsciente e deitada em uma cama de solteiro e não percebia quase nada do que eles falavam. Será que estou sonhando? Olhei a minha volta e avistei as paredes de ferro que me cercavam. Parecia uma sala de contenção. Me belisquei ainda incrédula de que aquilo não passava de um mero sonho, mas foi inútil e o máximo que pude conseguir foi alertá-los de que os estava ouvindo.
– Você está bem? – Perguntou o rapaz.
Agora mais perto de mim eu pude dar conta de uma das vozes. Era o Berthos. Ele parecia mais sério e lançava sobre mim um olhar sombrio que me deixava ainda mais espavorida.
– O que é isso Berthos? – eu perguntei tentando entender.
Me dei conta que estava amarrada na cama e não sabia droga nenhuma de onde estava.
– Relaxa, você vai saber. – ele respondeu contorcendo o nariz.
– O que vocês estão fazendo comigo? Porquê me amarraram? – tentei me levantar mas uma forte dor de cabeça se apoderou de mim, e eu dormi novamente.

…………………………………………………………………………………………………………………………………………………….

Voltei a acordar e dessa vez parecia mais lúcida. Olhei novamente para os meus braços e já não estava amarrada. A dor de cabeça havia desaparecido. Três pessoas estava no meu quarto. Um deles eu conhecia. Era o Berthos, mas as outras duas eu não fazia a mínima ideia de quem eram.
– Prazer, sou a Bianca. – Uma das jovens falou se aproximando de mim. – Nossa você é ainda bem mais bonita de perto.
– Você pode por favor me dizer o que diabos estou fazendo aqui?
– Você está aqui porque precisa ser protegida e ensinada a se proteger. – Respondeu outra moça.
– Protegida de quê? Do que vocês estão falando?
– Dos homens do círculo… – Berthos respondeu – eles estão procurando você e não vão descansar até encontrá-la.
Franzi a testa atónita.
– Quem são esses homens do circulo e porque eles estão atrás de mim?
– Eles são caçadores – Bianca voltou a falar. – Ela era meio sinistra. Parecia gótica. Suas vestes pretas, suas unhas pintadas da mesma cor e o seu corte de cabelo bizarro a davam um ar assombroso. Tudo nela me assombrava, mas não podia mentir que ela era muito bonita. Seus olhos eram profundos e misteriosos como a morte.
– O circulo é uma organização secreta do governo criada apenas para matar pessoas como nós.
– Nós. Porque eles eles querem nos matar. O que a gente fez?
– A gente é diferente deles. Os humanos sempre tiveram medo do que é diferente. A gente é uma espécie de híbrido. Mas esse cognome já foi ultrapassado. Preferimos nos chamar de Humánimol.
– Huma… quê? Perguntei ainda sem entender patavina nenhuma do que ela acabara de dizer.
– Humánimol – respondeu a outra jovem se aproximando de mim. – Ao contrário da Bianca ela parecia bem mais solene. Suas vestes escarlates, acompanhavam lindamente com os seus olhos e seu sorriso me transmitiam segurança e controlo. Não sei porque, mas algo me dizia que iria gostar dela, mas aí lembrei-me da minha mãe e de como me arrependo em não lhe dar ouvidos em nunca confiar em estranhos. Então abanei a cabeça e ignorei toda fagulha de confiança que podia ter por ela.
– Nós somos meio homem e meio animal – ela continuou.
– Deixa-me adivinhar, a gente é lobisomem é isso? – perguntei de modo deboxado.
– Não, a gente é todo animal que existe na terra.
Eu ri disso.
– Isso é alguma piada certo? Ahm, já sei. Nós estamos nesses programas de apanhados. Podem parar que já deu.
Naquele momento Bianca se transformou em uma pantera linda enorme e de plumagem exageradamente preta. Era lindo e assustador ao mesmo tempo. Eu corri pra junto do Berthos. Apesar de não confiar mais nele. Ele era o único que eu conhecia naquele meio, ou pensava conhecer.
– Fica descansada. Ela não vai lhe fazer mal. Berthos disse enquanto a fera nos olhava.
– Todos nós somos um animal diferente.
– Como assim? – Eu quis saber mais.
– A Bianca é uma pantera, eu sou um lobo e a Valkiria – ele apontou pra outra jovem. Ela é uma Múltipla.
– O que é uma Múltipla?
– Os Múltiplos são os Humánimol especiais. Eles são os únicos que conseguem se transformar em mais de um animal. Eles podem ser o que quiser.
– Ok. – eu respondi voltando a me questionar se não estava mesmo a sonhar nem em um desses programas de TV.
– E o que eu sou. – perguntei.
– A gente ainda não sabe.
– Desconfia-se que também sejas uma Múltipla, mas isso é pouco provável. Os Múltiplos se activam muito cedo e você ainda não se activou completamente. E isso é uma das razões que fez te trazermos aqui. O Conselho dos Humánimol acha que você pode ser uma Levítica. E por isso tens de ser supervisionada até sua transformação total.
É claro que eu não fazia ideia do que Lévictica quer dizer, e pela expressão facial dela ao falar, não me pareceu boa coisa. Então perguntei.
– Você vai me explicar o que é Levítuco ou vou ter que perguntar?
– Desculpa. – Valkiria respondeu…- Levíctivo é a espécie mais perigosa dos humánimol e só existem dois na terra. Um é o teu pai. O líder do circulo e outro o seu irmão mais velho. Ambos pertencentes ao circulo.
– Espere um pouco, agora já basta. Quem vos disse que eu tenho um irmão mais velho. Nem eu sei que tenho um irmão e que história é essa do meu pai ser isso que você acabou falando. Vocês devem procurar um médico. Isso que vocês andam fumando deve ser muito forte.
– Pergunte a sua mãe. – Bianca falou voltando a sua forma humana novamente.
Algo me chamou atenção. Nos filmes de lobisomens, eles sempre ficavam sem roupas após uma transformação. Mas ela voltou com suas vestes no corpo. Eu queria perguntar como aquilo era possível mas minha cabeça voltou ao que ela disse.
– Minha mãe? O que vocês vão me dizer agora? Ela também é uma Humánimol, Múltipla, Levítica ou o quê ahm?
Eles se entre-olharam e parecia que estavam escondendo mais coisas.
– Você precisa descansar. Conversamos mais amanhã. – Valkiria disse me fazendo a mesma coisa que o Berthos havia feito na noite da festa.
Estava na cara que estavam escondendo algo e era grave. O que eles sabem sobre minha mãe que não podem me contar agora? Me senti cansada novamente, mais uma vez meus olhos estavam ensonados e não demorou muito pra eu apagar.

Continuar lendo “A Fome – (Part. 2)”

A Fome – (Part. 1)

57577038_2134674999979720_1388550364017459200_n.jpg

Capítulo 1 – Libertada

Escrito Por: Alfredo Dobia

Mamãe sempre disse que não devemos confiar em estranhos. O Mundo está cheio de maldade e nunca sabemos quem está por de trás da esquina ao lado. Mas aquele sorriso, aquele maldito sorriso me penetrou da alma a carne. Droga, como fui tola em cair nas cantadas de um garoto como ele. Afinal de contas ele é só mais um garoto. Sou uma menina de 15 anos. Não era suposto eu estar trancafiada em um quarto em pleno sábado a noite quando minha melhor amiga estava completando 16 anos e prestes a perder a virgindade na sua festa de aniversário. Sim, eu sei, vocês podem me julgar agora, eu não deveria desobedecer ela. Suas ordens foram bem límpidas: Rayana Thargon, tranque a porta e não saia mesmo que ouvires gritos na rua. Minha mãe sempre falava isso todo sábado a noite. Mas ela não sabe o quão silencioso e solitário é esse lugar, então aqui estou eu agora. Aproveitando a uma hora que ela disse que estaria fora, para ir direito a casa da Sophie.

De longe podia ouvir o som vibrante das colunas dos Jhonson. Eles sempre mandaram bem em não deixar ninguém sentado. E tocar no niver da Sophie era como uma obrigação pra eles. Os gémios sempre tiveram um fraco por ela e com certeza fariam de tudo pra deixá-la feliz. Esperei anciosa pelo refrão, sempre gostei do Bruno Mars e Locked Out Of Heaven era uma das músicas dele que eu mais amava
“Cause you make me feel like,
I’ve been locked out of heaven.
For too long, for too long Yeah.
You make me feel like,
I’ve been locked out of heaven´´…

Cantava conectada a música

– Nossa, olha só quem está aqui – disse o garoto do sorriso pecaminoso, segurando a minha sintura enquanto descia do meu skate e me trazia de volta a realidade. – Porque demorou tanto Rayana?
– Você sabe como é minha mãe – eu respondi olhando firmimente para os olhos dele. Senti uma lufada de perigo dentro daqueles olhos. Será que estava mesmo me apaixonando pelo Berthos como a Sophie tem insinuando? Numa coisa ela tem razão. Berthos é uma delícia. Nem todos têm DNA nem capacidade pra ficar tão delicioso quanto ele.
– Vem, eu quero te mostrar uma coisa – ele pediu educadamente e segurando a minha mão.
Meu coração pulsou.
– Eu acabei de chegar e ainda não dei os parabéns a Sophie.
– Não acho que ela esteja precisando de você agora – ele falou sorrindo e olhando pra Sophie que conversava com o crush dela.
Senti-me feliz ao ver que ela estava se divertindo.
Berthos me puxou pra junto de si e isso fez meu sangue ferver. A gente foi até ao carro dele. Ele alcançou uma caixinha misteriosa do banco de trás
– O que é? – Indaguei.
– Abre.
Assim que o fiz, meus olhos tilintaram de felicidade. Era um cachorro muito lindo.
– Sophie vai adorar. – Eu disse.
– Não é pra ela. Eu já entreguei o presente dela .
– Eu e ela não fizemos aniversário juntas.
– Eu sei. – ele respondeu.
O Cachorro me encarou firme nos olhos e foi ali onde as coisas começaram. Ele começou a ladrar pra mim, como se estivesse assustado. Eu tentei passar a mão na cabeça dele, mas ele urrou pra mim e quase atacou minha mão. Berthos não me pareceu surpreso. O cachorro saltou das mãos dele e naquele momento algo estranho aconteceu, minhas mão passaram no pescoço do cachorro e sangue se esvaiu em direcção ao meu rosto. Olhei pra minha mão e pareciam garras.

Uma estranha sensação de fome invadiu meu estômago. Foi aí então que dentes fortes cresciam da minha boca, rasgando meus maxilares de forma horripilante. Agarrei no cachorro que dava os seus últimos suspiros e mordi-o, mordi-o tão forte que a cabeça se separou do corpo. Berthos abriu um sorriso pra mim, como se esperasse aquilo. Estava confusa, mas queria mais, queria sangue, queria carne e dessa vez não de um cachorro. Eu queria o sangue dele, a carne dele… então ataquei-o. Mas ele rompeu a porta do carro com uma força que não parecia natural.
Logo a seguir ele apertou meu tronco e aquilo fez eu cair e enquanto sentia meu corpo neutralizado, eu ainda podia ouvi-lo:

– Você foi libertada e agora não tem como voltar atrás. Descanse Rayana, eles estão esperando por ti. Mas eu estarei lá. Eu vou cuidar de você.
E assim, eu apaguei…

Continuar lendo “A Fome – (Part. 1)”

A Irmandade Dos Bruxos Modernos (Pt. 21) – O Pergaminho

 

transferirCapítulo 21 – O Pergaminho

Escrito Por: Alfredo Dobia

Com apenas um leve empurrão à porta do bar dos Humánimol se abriu e logo depois os Anderson, Lúcia e Sasha, passaram por ela. Diferente do bar onde Lúcia trabalha, este era enormemente espaçoso. As paredes tinham um tom escarlate muito viva, quase vertiginoso e tinha algo que Lúcia e Sasha simplesmente não conseguiam deixar de vislumbrar além da vivacidade da cor… Havia pequenas estantes de madeira presas nela, alinhadas de forma organizadas e pejada de livros de diversos géneros, desde a literatura clássica à literatura urbana.

Continuar lendo “A Irmandade Dos Bruxos Modernos (Pt. 21) – O Pergaminho”

A Irmandade Dos Bruxos Modernos (Pt. 20) – América

12540719_942052865876134_1984882379435933989_n

Capítulo 20 – América

Escrito Por: Alfredo Dobia

— Adoro chegar em casa! — afirmou Valter enquanto caminhava em passos curtos em direcção a geleira.

Ele pegou duas cervejas e lançou uma delas ao Chris. Estavam exaustos após a viagem de regresso a Nova York, e tinham de recarregar as forças para enfrentarem a batalha que se avizinha. Porém, Lúcia e Sasha largaram suas malas no chão da sala e juntas foram até o quarto. Sasha a encarava curiosamente, como se estivesse esperando que Lúcia narrasse algo que ela vem esperando ouvir desde o primeiro dia que soube, até que Lúcia, preparando-se para entrar no banheiro, notou o olhar fulminante da amiga e disse:

— O que foi Sasha? Que olhar é esse agora?

Sasha estava sentada, apertando uma das almofadas da cama confortável da Lúcia. Continuar lendo “A Irmandade Dos Bruxos Modernos (Pt. 20) – América”

A Irmandade Dos Bruxos Modernos (Pt. 19) – A beira da morte

ALFREDO

Capítulo 19 – A beira da morte

Escrito Por: Alfredo Dobia

 

Esticando a corda até atingir a tensão desejada, Lúcia respirou fundo em busca de concentração e quando por fim uma das Criaturas se moveu em ataque — ela dispensou a flecha, que voou dos seus dedos. Um sorriso de vitória escapou dos seus lábios ao atingir certeiramente um dos olhos da criatura. A flecha adentrou com precisão e acabou saindo do outro lado — deixando o olho da abominável criatura presa nela. As outras criaturas não demonstraram expressão de medo em seus rostos assustadores, eles simplesmente posicionaram-se e logo depois atacaram em conjunto. Mas os Bruxos Modernos não se intimidaram ao ver os rostos dos seus oponentes cada vez mais próximo do embate. Continuar lendo “A Irmandade Dos Bruxos Modernos (Pt. 19) – A beira da morte”