Scylla

 

 

scylla21

Por L. Orleander

” Secou – se o coração latente.
Transformado em pedra
e estilhaçado entre os dedos
Tornou – se poeira.
– Eu abdico de sentir…”

 

“Eu abdico… De sentir…”

Foi a última vez que a dor aguda atravessou o peito marcando as raizes venenosas do sangue negro, uma promessa… Um pacto. Ela não se lembrava.

O estrago estava feito, mas a juventude estava garantida por toda eternidade.

Se olhou no espelho e lambeu os lábios ainda quentes antes de voltar para o quarto, o corpo ainda estava na cama, encostado… Olhando fixamente para o nada com aqueles olhos vazios, sem vida.

Acendeu o cigarro e ficou olhando a fumaça subir em espiral, o corpo nu, ganhava novamente rubor e os hematomas desapareciam gradativamente.

As lembranças começaram a dançar diante de seus olhos, primeiro veio o sorriso sedutor e aquele brilho dentro daquele par de olhos amendoados. Malditos olhos!

Um encanto diferente, ele cheirava a ervas frescas, um banquete de desejo, dominio e poder, o sangue quente sob a pele, o coração inteiro e sem nenhum arranhão. Perfeito! Um garanhão completo.

Ainda se lembrava da forma como ele segurava o copo de whisky e balançava as duas pedras de gelo, com aquele meio sorriso misterioso, convidando – a a participar daquela encenação patética, Scylla sabia que era sempre da mesma forma.

O cortejar, o sexo e por fim a morte… Mas esse parecia fugir dos padrões , exalava lúxuria, aguçando a curiosidade.

Andou de um lado a outro do quarto observando outra vez a imagem diante de si, o buraco no peito, as visceras sobre o lençol branco refeletidas lindamente em tons distintos de vermelho, nos espelhos do teto. Virou a cabeça de lado e colocou o cigarro de canto, encostando o polegar nos lábios, era possivel sentir o gosto adocicado, extremamente embriagante do vinho.

Fechou os olhos e inalou o odor, uvas de taninos variados, fortes e encorpados,invadiram suas narinas, sorriu sem remorso.

Sentou – se na cama e acariciou a perna, agora imovel, morna. Trazendo para si o que acabará de fazer…

Ouviu o gemido de prazer quando ele a penetrou por trás feito animais copulando, enrolou as mãos fortes no longo cabelo liso e puxou delicadamente, sussurrando obcenidades ao pé do ouvido, Scylla sentia o hálito quente e a outra mão lânguida descendo dos seios para o centro de suas pernas.

Estava quente, completamente molhada de tesão quando os dedos dele adentraram – na sem pedir licença. O vai e vem cadenciado, sem pressa e o prazer retardado pelos movimentos comedidos.

Uma estocada mais rápida, trouxe o primeiro orgasmo, a lingua desceu desejosa e sorveu o gosto do extâse, Scylla sentia – se delirar, era como se de fato ele se preocupasse em satisfazer todas as suas vontades e assim ele o fez.

Beijos ardiam e deixavam rastros do pescoço á virilha, enquanto ela o abocanhava despudorada, olhando com lascivia feito a prostituta mais experiente de um bordel, o rapaz delirava.

Era apenas uma questão de tempo até que ele alcançasse o ponto exato para Scylla satisfazer – se.

Sentiu o membro rijo, endurecer um pouco mais e o suor do corpo dele escorrer sobre seu corpo liberando aquele cheiro de cio agoniado. Ele não se importava mais.

Ela sorria já com os dentes pontiagudos aparecendo, as unhas, agora compridas, deslizavam nas costas deixando a pele em feridas profundas, ele gemia, de dor e prazer pedindo mais e aumentando o ritmo da penetração.

Ele sussurrava seu nome e pedia por favor, virando os olhos em meio a explosão de prazer.

O movimento foi brusco e rápido o suficiente para que ele tivesse apenas tempo para arregalar os olhos.

A mão fria, agora atravessava o peito do rapaz, precisa e voltava trazendo consigo um coração euforico, palpitante e acelerado. O sorriso demoniaco tomou a face de Scylla e em seu último grito, ele sentiu a jugular ser arrancada a dentadas vorazes. Sentada ainda sobre o membro agora mole, ela bebia o coração quase seco e rasgava a carne do corpo diante de si, como quem rasga um trapo velho.

Não houve choro dessa vez, não como da primeira vez. Não quando matou aquele que mais amou por que a feriu e lhe tirou tudo o que tinha e mais prezava.

Scylla Seria eterna… Um monstro… Uma donzela…

A Vingança…

 

 

FIM

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