Fidelis Mortem… Mortem Sanctus

fidelis1Por L. Orleander

” Se ao sepulcro descer

E á minhas mãos pertencer

Tua alma guardarei,

Teu pranto secarei

E toda dor, cessarei… “

Um sopro…

E a primeira batida do coração se faz presente, ninguém comemora como eu ou fica mais feliz do que eu. Uma existência se forma, enquanto traço seus caminhos antes mesmo que você ande por eles, eu conheço os perigos, que “Ela”, tão adorada, irá te impor sorrindo. Eu assisto seu destino antes mesmo de teu primeiro movimento, do primeiro suspiro…

Vislumbro teus caminhos antes mesmo de abrirdes os olhos para este mundo que te afogará em lamentos e desilusões funestas.

Te conheço melhor do que eu mesma e te amo antes mesmo de proferirdes as primeiras palavras. Por vezes serás triste, vazio, preocupado. O que faz de mim tua espectadora e escrava, me adoecendo, me viciando, me ligando á você, como parte do que você é, mas teme reconhecer.

Eu a vejo te sorrir, enquanto prega peças ao teu pobre e mortal coração e quantas vezes não vi tantos sucumbirem diante das “travessuras” que ela tão tresloucadamente, apronta. Insana e vil companheira… Mas você não enxerga, se quer sente ou a teme, porém me repudias como o mal calculado de tua existência.

Um fio tremuliza entre nós e se torna tão forte quanto o que a alimenta, situações desastrosas e sofriveis, jogos propostos apenas por que “Ela” quer te arrastar pela mão para o abismo e ainda sim, você a vê como bela…

Meu coração estala e ruí junto á ti.

Pó de Lua, asas de escuridão, silêncios de violinos e mariposas… Meu beijo com sabor de saudade, amargura e compaixão.

Tão leve, pequena e tão temida.

Te prometo a lealdade que amigos que partirão e esquecerão teu nome em alguma curva que os separar. Te dou a fidelidade das instituições falidas de casamentos abusivos e traiçoeiros, condenáveis.

Sou o som fraco do peito batendo, o ar que fere os pulmões e arde as entranhas, aquela canção de ninar que lembra tristeza, o abraço apaixonado que jamais veio.

Estou entrelaçada á teus dedos, teu “Akaito” em cetim negro, desde a hora em que fostes gerado, sou teu Réquiem.

Aquela á quem chamam de desculpa ou carrasca vil e impiedosa.

Olhastes para mim ainda outro dia, sob o Sol que amanhecia e aquela rodovia apressada e sorriu, um aperto no coração, mas apenas seus olhos se fecharam enquanto sua pele arrepiava ao sabor da brisa. Respiração lenta… Certezas.

Sei que conta teus dias nos dedos e os anos que te aproximam de meus braços, te vejo remexer os lençóis e ouço o teu pensar, entristeces me.

É inevitável e logo seremos apenas eu e você e uma longa viagem.

Somente aí poderei te dizer que de crueldade nada habita em meu ser, entenderás que vivo á mercê do Destino e que não deverias, á mim, temer.

Eu sempre saberei quando tua hora chegará e quando a teu nome, meus lábios proferirem, um nova jornada iniciará e prometo lhe acompanhar sem lhe causar medo.

Pois sou a resposta de todas as suas perguntas, a empatia e a justiça que lhe faltou enquanto idolatravas minha querida irmã Vida.

Não sou eu quem lhes rouba as vontades e nem mesmo a essência, não lhes encho de floreios e ilusões passageiras, que os destrói a cada dia, um pouco mais.

Pois a travessia também te espera e nem mesmo a Vida que tu veneras como única e benevolente senhora te acompanhará quando tudo acontecer.

 

 

FIM?

 

 

 

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