A Fome – (Part. 2)

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Capítulo 2 – Renascimento

Escrito Por: Alfredo Dobia

“E se os nossos olhos vissem almas ao invés de corpos? Quão diferente seriam nossos padrões de beleza?” 
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– Você acha mesmo que ela está pronta? Ela tem só 15 anos.
– A gente começou com 12 lembras?
– É diferente, nós fomos desbloqueados aos 5 anos e crescemos perto da nossa espécie. Ela cresceu com a mãe, que não passa de uma humana comum…
Às vozes que ouvia me pareciam familiar. Parecia um casal conversando. Eu ainda estava inconsciente e deitada em uma cama de solteiro e não percebia quase nada do que eles falavam. Será que estou sonhando? Olhei a minha volta e avistei as paredes de ferro que me cercavam. Parecia uma sala de contenção. Me belisquei ainda incrédula de que aquilo não passava de um mero sonho, mas foi inútil e o máximo que pude conseguir foi alertá-los de que os estava ouvindo.
– Você está bem? – Perguntou o rapaz.
Agora mais perto de mim eu pude dar conta de uma das vozes. Era o Berthos. Ele parecia mais sério e lançava sobre mim um olhar sombrio que me deixava ainda mais espavorida.
– O que é isso Berthos? – eu perguntei tentando entender.
Me dei conta que estava amarrada na cama e não sabia droga nenhuma de onde estava.
– Relaxa, você vai saber. – ele respondeu contorcendo o nariz.
– O que vocês estão fazendo comigo? Porquê me amarraram? – tentei me levantar mas uma forte dor de cabeça se apoderou de mim, e eu dormi novamente.

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Voltei a acordar e dessa vez parecia mais lúcida. Olhei novamente para os meus braços e já não estava amarrada. A dor de cabeça havia desaparecido. Três pessoas estava no meu quarto. Um deles eu conhecia. Era o Berthos, mas as outras duas eu não fazia a mínima ideia de quem eram.
– Prazer, sou a Bianca. – Uma das jovens falou se aproximando de mim. – Nossa você é ainda bem mais bonita de perto.
– Você pode por favor me dizer o que diabos estou fazendo aqui?
– Você está aqui porque precisa ser protegida e ensinada a se proteger. – Respondeu outra moça.
– Protegida de quê? Do que vocês estão falando?
– Dos homens do círculo… – Berthos respondeu – eles estão procurando você e não vão descansar até encontrá-la.
Franzi a testa atónita.
– Quem são esses homens do circulo e porque eles estão atrás de mim?
– Eles são caçadores – Bianca voltou a falar. – Ela era meio sinistra. Parecia gótica. Suas vestes pretas, suas unhas pintadas da mesma cor e o seu corte de cabelo bizarro a davam um ar assombroso. Tudo nela me assombrava, mas não podia mentir que ela era muito bonita. Seus olhos eram profundos e misteriosos como a morte.
– O circulo é uma organização secreta do governo criada apenas para matar pessoas como nós.
– Nós. Porque eles eles querem nos matar. O que a gente fez?
– A gente é diferente deles. Os humanos sempre tiveram medo do que é diferente. A gente é uma espécie de híbrido. Mas esse cognome já foi ultrapassado. Preferimos nos chamar de Humánimol.
– Huma… quê? Perguntei ainda sem entender patavina nenhuma do que ela acabara de dizer.
– Humánimol – respondeu a outra jovem se aproximando de mim. – Ao contrário da Bianca ela parecia bem mais solene. Suas vestes escarlates, acompanhavam lindamente com os seus olhos e seu sorriso me transmitiam segurança e controlo. Não sei porque, mas algo me dizia que iria gostar dela, mas aí lembrei-me da minha mãe e de como me arrependo em não lhe dar ouvidos em nunca confiar em estranhos. Então abanei a cabeça e ignorei toda fagulha de confiança que podia ter por ela.
– Nós somos meio homem e meio animal – ela continuou.
– Deixa-me adivinhar, a gente é lobisomem é isso? – perguntei de modo deboxado.
– Não, a gente é todo animal que existe na terra.
Eu ri disso.
– Isso é alguma piada certo? Ahm, já sei. Nós estamos nesses programas de apanhados. Podem parar que já deu.
Naquele momento Bianca se transformou em uma pantera linda enorme e de plumagem exageradamente preta. Era lindo e assustador ao mesmo tempo. Eu corri pra junto do Berthos. Apesar de não confiar mais nele. Ele era o único que eu conhecia naquele meio, ou pensava conhecer.
– Fica descansada. Ela não vai lhe fazer mal. Berthos disse enquanto a fera nos olhava.
– Todos nós somos um animal diferente.
– Como assim? – Eu quis saber mais.
– A Bianca é uma pantera, eu sou um lobo e a Valkiria – ele apontou pra outra jovem. Ela é uma Múltipla.
– O que é uma Múltipla?
– Os Múltiplos são os Humánimol especiais. Eles são os únicos que conseguem se transformar em mais de um animal. Eles podem ser o que quiser.
– Ok. – eu respondi voltando a me questionar se não estava mesmo a sonhar nem em um desses programas de TV.
– E o que eu sou. – perguntei.
– A gente ainda não sabe.
– Desconfia-se que também sejas uma Múltipla, mas isso é pouco provável. Os Múltiplos se activam muito cedo e você ainda não se activou completamente. E isso é uma das razões que fez te trazermos aqui. O Conselho dos Humánimol acha que você pode ser uma Levítica. E por isso tens de ser supervisionada até sua transformação total.
É claro que eu não fazia ideia do que Lévictica quer dizer, e pela expressão facial dela ao falar, não me pareceu boa coisa. Então perguntei.
– Você vai me explicar o que é Levítuco ou vou ter que perguntar?
– Desculpa. – Valkiria respondeu…- Levíctivo é a espécie mais perigosa dos humánimol e só existem dois na terra. Um é o teu pai. O líder do circulo e outro o seu irmão mais velho. Ambos pertencentes ao circulo.
– Espere um pouco, agora já basta. Quem vos disse que eu tenho um irmão mais velho. Nem eu sei que tenho um irmão e que história é essa do meu pai ser isso que você acabou falando. Vocês devem procurar um médico. Isso que vocês andam fumando deve ser muito forte.
– Pergunte a sua mãe. – Bianca falou voltando a sua forma humana novamente.
Algo me chamou atenção. Nos filmes de lobisomens, eles sempre ficavam sem roupas após uma transformação. Mas ela voltou com suas vestes no corpo. Eu queria perguntar como aquilo era possível mas minha cabeça voltou ao que ela disse.
– Minha mãe? O que vocês vão me dizer agora? Ela também é uma Humánimol, Múltipla, Levítica ou o quê ahm?
Eles se entre-olharam e parecia que estavam escondendo mais coisas.
– Você precisa descansar. Conversamos mais amanhã. – Valkiria disse me fazendo a mesma coisa que o Berthos havia feito na noite da festa.
Estava na cara que estavam escondendo algo e era grave. O que eles sabem sobre minha mãe que não podem me contar agora? Me senti cansada novamente, mais uma vez meus olhos estavam ensonados e não demorou muito pra eu apagar.

CONTINUA…

OBS: Pt. Português de Portugal

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