A Vila Assombrada – (Capítulo 1)

Capítulo 1 – A História das Criaturas da Noite

Escrito por: Sweet Zompira

Havia uma pequena e antiga vila no meio de uma pequena floresta que ficava em cima de uma grande montanha. Nela habitavam não mais do que vinte famílias, fruto dos seus antepassados. Eles viviam da agricultura e da criação de animais domésticos. Todos os habitantes da vila tinham suas funções – das mais pequenas às mais importantes – até mesmo as crianças. A vila Uzua era protegida por uma grande cerca de madeira que marcava fronteira com a floresta. Eles eram felizes? Sim. Às vezes, mas somente durante o dia. Essa situação se devia ao facto de que todas as casas da vila estavam marcadas com uma cruz de sangue humano na porta. E até ao pôr-do-sol todos tinham que estar dentro de suas casas. Porquê será? Porque quando a noite chegava elas apareciam. Os habitantes nunca as tinham visto mas sabiam que elas existiam, porque sentiam o medo e aberração percorrendo o corpo deles. Eles as chamavam de “As Criaturas da Noite”. Qualquer inocente poderia pensar que era só histórias dos anciãos, mas não era isso que o número de pessoas desaparecidas indicava.

— Pai é verdade que nunca ninguém as viu? — Perguntou a pequena Juliana olhando atenta para o seu pai. O sol já tinha desaparecido e estavam todos em casa, aconchegados à pequena lareira, pois o frio se fazia presente nesta noite.

— Eu não creio que seja verdade. Se ninguém nunca as viu então elas não existem — disse a outra menina, irmã menor da Juliana, a Adriana. O pai delas, Mic sorriu para as duas. Ele sabia que não devia sorrir porque o que ele dirá a elas não se tratava de brincadeira. Mas o álcool percorria já as suas veias devido ao maruvo1 que ele mesmo fizera. Beber era um problema que ele não pensava em deixar. Coisa que irritava bastante a sua mulher Isvânia.  

— Minhas filhas, é verdade. Meus tataravôs foram sugados pelas criaturas da noite. 

— Ainda assim, para mim não parece verdade — falou a Adriana, um pouco céptica quanto ao assunto.

— Cuidado com o seu cepticismo, filha — disse a Isvânia olhando para sua menina. — Ele pode colocar-te em perigo.

— E porquê nunca tentaram matá-las, pai? — Perguntou a Juliana. A curiosidade vivia com ela. Apesar de ser a filha mais velha dos Anjel, parecia ser a menor.

— Nossos antepassados já tentaram, filha. Mas desapareceram como todos que tentaram saber mais sobre elas. O nosso único jeito de nos manter vivos é respeitando as regras da vila. Agora, vão para cama que já está tarde. — Obedientes, as duas irmãs se levantaram do tapete, desejaram boa noite aos pais e foram para o quarto delas. — Nós também temos que ir, Mic — disse a Isvânia levantando o seu marido. Ele sorriu.

— Você é boa mulher.

Na manhã seguinte o sino tocou trinta minutos antes do sol se pôr e todos começaram a preparar suas coisas para levar dentro de casa e fechar as casas dos animais. Quando faltavam mais ou menos dez minutos, um grupo de homens voltava para vila com algumas madeiras. Desceram dos seus cavalos e saudaram as suas famílias. Isvânia se alarmou quando não viu o seu marido Mic.

— Senhor Dobia, onde está o meu Marido?

— Infelizmente o perdemos de vista, senhora Anjel — disse com pesar. — Quando nos apercebemos de sua ausência, procuramos por ele na floresta mas tivemos que voltar por causa do tempo. Sinto muito. — A olhou com dor e culpa. As lágrimas imediatamente tomaram conta dos lindos olhos da Isvânia. — Acalme-se por favor, o sol ainda não se pôs completamente. Talvez o senhor Anjel apareça antes de o sol se pôr completamente. — Isvânia assentiu com a cabeça, mas algo no seu coração a dizia que seu marido não voltaria mais. Com toda a dor, ela entrou em casa junto com suas filhas que também estavam assustadas com o atraso do pai.

CONTINUA…

OBS: PT. Português Portugal

1 – Maruvo é uma bebida de Angola resultante da fermentação da seiva das palmeiras.

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