A Fome – (Part. 1)

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Capítulo 1 – Libertada

Escrito Por: Alfredo Dobia

Mamãe sempre disse que não devemos confiar em estranhos. O Mundo está cheio de maldade e nunca sabemos quem está por de trás da esquina ao lado. Mas aquele sorriso, aquele maldito sorriso me penetrou da alma a carne. Droga, como fui tola em cair nas cantadas de um garoto como ele. Afinal de contas ele é só mais um garoto. Sou uma menina de 15 anos. Não era suposto eu estar trancafiada em um quarto em pleno sábado a noite quando minha melhor amiga estava completando 16 anos e prestes a perder a virgindade na sua festa de aniversário. Sim, eu sei, vocês podem me julgar agora, eu não deveria desobedecer ela. Suas ordens foram bem límpidas: Rayana Thargon, tranque a porta e não saia mesmo que ouvires gritos na rua. Minha mãe sempre falava isso todo sábado a noite. Mas ela não sabe o quão silencioso e solitário é esse lugar, então aqui estou eu agora. Aproveitando a uma hora que ela disse que estaria fora, para ir direito a casa da Sophie.

De longe podia ouvir o som vibrante das colunas dos Jhonson. Eles sempre mandaram bem em não deixar ninguém sentado. E tocar no niver da Sophie era como uma obrigação pra eles. Os gémios sempre tiveram um fraco por ela e com certeza fariam de tudo pra deixá-la feliz. Esperei anciosa pelo refrão, sempre gostei do Bruno Mars e Locked Out Of Heaven era uma das músicas dele que eu mais amava
“Cause you make me feel like,
I’ve been locked out of heaven.
For too long, for too long Yeah.
You make me feel like,
I’ve been locked out of heaven´´…

Cantava conectada a música

– Nossa, olha só quem está aqui – disse o garoto do sorriso pecaminoso, segurando a minha sintura enquanto descia do meu skate e me trazia de volta a realidade. – Porque demorou tanto Rayana?
– Você sabe como é minha mãe – eu respondi olhando firmimente para os olhos dele. Senti uma lufada de perigo dentro daqueles olhos. Será que estava mesmo me apaixonando pelo Berthos como a Sophie tem insinuando? Numa coisa ela tem razão. Berthos é uma delícia. Nem todos têm DNA nem capacidade pra ficar tão delicioso quanto ele.
– Vem, eu quero te mostrar uma coisa – ele pediu educadamente e segurando a minha mão.
Meu coração pulsou.
– Eu acabei de chegar e ainda não dei os parabéns a Sophie.
– Não acho que ela esteja precisando de você agora – ele falou sorrindo e olhando pra Sophie que conversava com o crush dela.
Senti-me feliz ao ver que ela estava se divertindo.
Berthos me puxou pra junto de si e isso fez meu sangue ferver. A gente foi até ao carro dele. Ele alcançou uma caixinha misteriosa do banco de trás
– O que é? – Indaguei.
– Abre.
Assim que o fiz, meus olhos tilintaram de felicidade. Era um cachorro muito lindo.
– Sophie vai adorar. – Eu disse.
– Não é pra ela. Eu já entreguei o presente dela .
– Eu e ela não fizemos aniversário juntas.
– Eu sei. – ele respondeu.
O Cachorro me encarou firme nos olhos e foi ali onde as coisas começaram. Ele começou a ladrar pra mim, como se estivesse assustado. Eu tentei passar a mão na cabeça dele, mas ele urrou pra mim e quase atacou minha mão. Berthos não me pareceu surpreso. O cachorro saltou das mãos dele e naquele momento algo estranho aconteceu, minhas mão passaram no pescoço do cachorro e sangue se esvaiu em direcção ao meu rosto. Olhei pra minha mão e pareciam garras.

Uma estranha sensação de fome invadiu meu estômago. Foi aí então que dentes fortes cresciam da minha boca, rasgando meus maxilares de forma horripilante. Agarrei no cachorro que dava os seus últimos suspiros e mordi-o, mordi-o tão forte que a cabeça se separou do corpo. Berthos abriu um sorriso pra mim, como se esperasse aquilo. Estava confusa, mas queria mais, queria sangue, queria carne e dessa vez não de um cachorro. Eu queria o sangue dele, a carne dele… então ataquei-o. Mas ele rompeu a porta do carro com uma força que não parecia natural.
Logo a seguir ele apertou meu tronco e aquilo fez eu cair e enquanto sentia meu corpo neutralizado, eu ainda podia ouvi-lo:

– Você foi libertada e agora não tem como voltar atrás. Descanse Rayana, eles estão esperando por ti. Mas eu estarei lá. Eu vou cuidar de você.
E assim, eu apaguei…

CONTINUA…

OBS: PT. Português de Portugal

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