The Bite Pt. 3: Lobo em Pele de Cordeiro.

Por: Natasha Morgan

Karen

Sua fome chamava Karen.
Fartar-se em meio a sangue e carne na casa de seu amante não fora o suficiente para aplacar a fome daquele monstro que se escondia em suas profundezas.

Queria mais.

Lorah não era estúpida. Sabia o que tinha feito. Sabia o que estava se tornando. Quando o sangue acumulado em seu corpo escorria pelo ralo do banheiro enquanto ela se limpava na segurança de sua casa, deu-se conta do que havia de errado com ela.
Mas ao invés de fugir, de procurar ajuda ou lamentar por Luke, ela abraçara sua maldição. Ou como quer que chamassem aquilo.

Gostava da sua fome. Da sensação do sangue explodindo em sabores em sua boca. Gostava do sabor da carne humana e a forma como ela como ela cedia, como manteiga, sob seus dentes e garras. O formigamento sedutor que se espalhavam por seu corpo lentamente, prometendo leva-la a orgasmos jamais sentidos antes.

Ela se lembrava de tudo.

E queria mais.

Karen.

Aquela mulher misteriosa que a levara ao ápice de tudo isso, seduzindo-a com seu corpo nu numa provocação desleal. Ela queria saborear Karen, afundar os dentes por entre suas coxas e sentir o sabor de sua carne tenra.
Há semanas não tivera notícias. Apenas aquele bilhete estúpido.

A Festa da Lua.

Karen a convidara. E ali ela estava, embora talvez não houvesse sido uma ideia esperta convidá-la. O ciclo da lua se completava naquele dia e ela sabia muito bem o que significava. O monstro que tentava irromper de suas profundezas estava perto demais da superfície. Podia senti-lo espreitando através de seus olhos, ofegante, faminto, sedutoramente nefasto.
O formigamento se alastrava sobre seu corpo desde o começo da semana, lento, sedutor… E a fome. A fome indomável quase a levava a loucura.

Aproximou-se do galpão abandonado, onde as garotas faziam fila.

O segurança a fitou com um que de reconhecimento, avaliando-a com certo receio. Permitiu sua entrada com um assentir de cabeça e lacrou a porta de metal na cara das garotas que ainda esperavam na fila.

– Desculpa, amorzinhos, é melhor que não entrem nessa.

O interior do galpão era pintado de vermelho, a fumaça sintética empesteando o ar numa decoração sombria. Havia um bar improvisado lá dentro, onde algumas garotas apanhavam suas bebidas cosmopita enquanto outras dançavam no amplo espaço perto do DJ, rebolando seus corpos magros com sensualidade.

Lorah curvou os lábios rubros num sorriso malicioso.

Ela iria adorar tudo aquilo.

O monstro dentro dela adoraria.

Seus olhos perspicazes varreram o local, procurando e encontrando sua presa.

Ela estava a poucos metros de onde se encontrava, espalhada num sofá de pelúcia bordô. Suas pernas longas estavam cobertas por meia calça trançada, a silhueta confortável num espartilho negro e felpudo. O sorriso em seus lábios também era rubro e seus olhos negros fitavam diretamente sua caçadora.

Lorah se aproximou, sentindo a fome se alongar dentro dela.

– Faz muito tempo. – disse Karen num ar provocante.

– Tempo demais.

Lorah ofereceu a mão num convite e Karen aceitou, afastando-se do emaranhado de gente no centro do galpão. Seus passos sensuais levaram a amiga a se afundar na penumbra de um corredor estreito que levava para as imediações de túneis escuros e frios.

Não fosse sua visão aguçada, Lorah se sentiria perdida. No entanto, tanto podia ver os olhos que a encaravam de maneira sensual na penumbra brumosa como podia sentir as mãos que passeavam por seu corpo sensualmente.

Os lábios rubros se encontraram numa carícia suave antes de se lançarem num beijo selvagem de tirar o folego. Karen tinha a boca aveludada e um sabor almiscarado. Suas línguas se entrelaçaram amigavelmente e se mostraram lascivas em explorar o interior de suas bocas.

– Lorah. – ela sussurrou em seus lábios. – Sei que adoraria me devorar. Mas temo não poder ofertar a você minha carne. – seus olhos injetados fitaram a colega com malícia. – Mas posso convidá-la a se juntar a mim num banquete maior.

Lorah lançou-lhe um olhar de dúvida.

– Sinto muito pela floresta. – desculpou-se a amiga. – Eu estava com fome.

– Você. – foi tudo o que a outra disse, encarando-a com aquela fome abrasadora.

– Eu não quis comer você. Quis compartilhar o dom, dividir o segredo. Trazer você para um mundo novo de sensações. E aqui está você agora. Linda, poderosa… Faminta.

Karen lhe lambeu o pescoço num gesto lascivo.

– Podemos compartilhar esse novo mundo, juntas. Banquetearmo-nos com a carne fresca e inebriante. Você só precisa deixá-la sair.

– A fome?

– A criatura. – Karen sorriu.

– Ou você pode matá-la e devorar seu coração, assim acaba com a maldição. – a voz veio de um homem careca que surgiu no corredor, trajando uma calça jeans puída.

Karen sorriu para ele.

– Lembra-se de Victor? O cara do Kansas? Foi ele quem me presenteou com esse dom ao qual os tolos chamam de maldição.

– E então, o que vai ser, Monstrinha? – Victor perguntou, aproximando-se ousadamente de Lorah.

Ela rosnou e ameaçou morder seu rosto, os dentes despontando de suas gengivas doloridas. Podia sentir o monstro se libertando dos últimos resquícios que ainda a mantinham humana.

– O ciclo está se fechando. – Karen disse, ansiosa. Sua própria fisionomia estava se transformando. As orelhas assumiam aquela forma pontuda, brotando pelos escuros em sua extremidade, seus dedos deixavam transparecer as garras curvas e escuras, os dentes alongaram-se e se tornaram afiados, o cenho se franziu numa carranca deformada. E os olhos… Os olhos brilhavam injetados, as pupilas transformando-se em fendas.

Lorah observou a transformação dela se espelhar a sua.

Karen se curvou, soltando um ofego.

– E então, Lorah, o que vai ser? – ela perguntou entre gemidos.

– Eu quero comer você. – Lorah disse, sentindo a criatura espreitar na superfície de seu corpo.

Karen sorriu.

– Há várias maneiras de comer alguém.

Lorah ofegou, segurando-se nas barras de ferro que cercavam a parede.

– A fome dói, seduz e incita. É irresistível. Tudo o que consigo pensar é em rasgar, mastigar, devorar.

– Então devore.

A criatura explodiu para fora de Lorah, irrompendo de seu peito numa profusão de pelos, pele e sangue. Algo grotesco, fétido, deformado e faminto. Seus olhos eram fendas negras, objetivos e perspicazes. Ela uivou, chacoalhando-se e se livrando dos resquícios sangrentos de pele.

Karen chiou num gemido intenso, liberando sua criatura também.

Victor sorriu, sentindo o membro rígido explodir num orgasmo quando sua criatura também irrompeu em urros e rosnados grotescos.

Os três lobisomens voltaram sua atenção para a festa que se desenrolava no galpão abandonado e suas bocas se encheram de água, a fome apertando em suas entranhas.

O banquete estava para começar…

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