The Bite Pt. 2 – Fome Abrasadora

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As pessoas no trabalho a encaravam de forma diferente, uma certa cautela espreitava os olhos deles. Sempre recuavam um passo conforme ela se aproximava e mantinham uma distancia estudada.

Karen não estava, como ela já deveria supor. Sua mesa meticulosamente arrumada encontrava-se vazia. Exceto por uma carta sofisticada deixada propositalmente próxima a um porta-retratos com uma foto das duas. O envelope era vermelho, selado com uma fita de cetim. Seu nome constava numa letra cursiva muito elegante.

Lorah a abriu.

No interior havia um cartaz convidando todos para a festa da lua que aconteceria em alguns dias, num galpão abandonado no centro da cidade.

 

Espero você lá.

                            Beijos,

                                               Karen

 

A letra e o convite de Karen eram tão sensuais quanto seus lábios rubros.

Lorah guardou o envelope em suas vestes e mal percebeu que estava sorrindo.

A conversa com seu superior fora tensa. Ela se mostrou arrependida e ciente de sua irresponsabilidade. Pediu desculpas umas cinco vezes e garantiu não adotar mais uma postura pouco íntegra novamente.

O homenzinho franzino a sua frente pareceu satisfeito com suas palavras e promessas, mas deixou claro não aceitar mais qualquer tipo de falta da parte dela. Aquilo pareceu aborrece-la – o que era uma total surpresa uma vez que quase nada a tirava do sério.

Adotando uma postura mais altiva, ela se arrumou na cadeira e o encarou com atrevimento, analisando os traços medíocres daquele ser humano. Algo mudou em seu interior e ela se sentiu ousada.

Sentiu vontade de se jogar para frente e unhar aquele rosto grotesco enquanto ele finalizava seu monólogo paternalista.

De repente se assustou, dando-se conta da agressividade que a dominou.

Pediu desculpas e saiu apressada da sala de reuniões.

Algo estava muito errado com ela.

Seu estomago roncou.

Lorah se enfiou pela portinhola da cantina e pediu um sanduiche acompanhado de um suco e bolinhos recheados. Comeu tudo em questão de segundos, esperando que sua fome se aplacasse.

Seu estomago continuou roncando, como se houvesse um vácuo ali dentro, ansioso por ser preenchido.

Ela o ignorou, trancafiando-se em sua sala particular.

Desabou na cadeira confortável, fechando os olhos e massageando as têmporas.

O silencio imperou por alguns minutos, com exceção de seu estomago protestando, até ser corrompido por ruídos estranhos que encheram seus ouvidos numa profusão confusa.

Ela ofegou, tentando distinguir o que era aquele zumbido.

Vozes.

Sussurros vindos das outras salas, alto o suficiente para se fazer ouvir.

Carla é uma idiota que não serve para ser chefe.

O Robert ontem me presenteou com um anel tão lindo

A Karen tem um corpo fabuloso!

Irina não mandou os relatórios no prazo correrto…

Lorah balançou a cabeça, tapando os ouvidos com as mãos.

Que porcaria era aquela?

Ela saiu da sala, encarando o corredor com os olhos franzidos.

Havia umas três pessoas paradas ali que a fitaram com confusão.

– Precisam falar tão alto? – Lorah inquiriu, irritada.

Eles lhe responderam com o mesmo olhar confuso.

– Lorah, querida. Está tudo bem? – uma garota de poucos anos se aproximou.

Lorah a encarou de cara feia. Stacey era amiga de Karen, uma de suas colegas mais íntimas.

– Está tudo ótimo! – ela se deu conta da acidez corroendo sua voz e se assustou com sua ousadia. – E por falar nisso, o corpo de Karen é mesmo fabuloso. Deveria vê-lo nu.

A garota corou.

– Como você…?

– Ouvi você fofocando com o seu vizinho na sala ao lado.

Lorah voltou as costas para a garota, resistindo a tentação de agarrá-la pela garganta.

Assustada com as oscilações de seu humor, saiu a passos apressados pelo corredor.

Comprou mais dois bolinhos recheados na cantina e os empurrou para dentro da boca, mastigando-os grotescamente. As pessoas no elevador a encararam e ela se mostrou pouco confortável. Tentou sorrir.

A fome persistiu até o final de seu expediente, crescendo como um monstro dentro dela, ansioso para se libertar.

Ela pensou em Karen, naqueles seios perfeitos e banhados pela luz da lua. A trilha sedutora que os pelos se fechavam no canto íntimo entre suas coxas.

Algo se agitou dentro dela, deixando-a ofegante.

Lorah correu para casa, ansiando por um banho gelado.

Mas ao invés de acalmá-la, a água fria pareceu apenas incitar ainda mais aquela coisa estranha dentro dela. A fome quase a enlouquecia. O estomago roncava, os ruídos a perturbavam.

Doce.

Ela precisava de doce. Seu ciclo estava chegando. Só poderia ser.

Escancarou a geladeira. Um bolo gorduroso de chocolate enfeitava uma forma simples, espalhando recheio pelas bordas. Lorah o atacou, devorando-o em poucos segundos, melecando-se e esbaldando-se em meio a tanta doçura.

Ela suspirou, lambendo os dedos. Podia sentir o estomago empanturrado. Mas ele ainda roncava, ansioso por alguma coisa mais doce. Lorah bebeu o litro de leite direto da caixa, incomodada com aquela sensação estranha.

Algo cheirava bem ali dentro, um cheiro sedutor que incitou sua fome abrasadora. Ela franziu o cenho, fuçando entre o estoque da geladeira, seguindo o aroma com uma ânsia sôfrega.

Uma bandeja de carne. Crua. Sangrando. Suculenta.

Seus dedos tremiam quando apanhou a bandeja entre as mãos. Umedeceu os lábios ressecados, lambendo-os num desejo profundo. Podia sentir a fome se intensificando dentro dela.

Lorah vomitou o bolo que comeu, deixando uma poça nojenta a seus pés.

Num gemido ensandecido, perfurou o plástico que lacrava a bandeja, apanhou um dos bifes crus e pingando sangue e o levou a boca, devorando-o com sofreguidão.

O sabor explodiu em sua boca numa sensação irresistível. O gosto metálico e ferruginoso do sangue se espalhou por sua língua, penetrando todo o seu ser. Ela ronronou, deliciando-se. Comeu a bandeja toda, bebericando até a última gota o sangue que se empoçara.

A fome cessou parcialmente, deixando nela uma sensação gostosa e letárgica. Ela se esparramou pelo chão, sorrindo consigo mesmo. Não se lembrava a ultima vez que comera algo tão saboroso, tão maravilhoso e que despertasse sensação mais gratificante.

Era como… Sexo.

Lembrou-se de Luke. De seu corpo maravilhoso. De seu membro pulsante. De sua língua atrevida. Da sensação deliciosa que era seus corpos envolvidos um no outro.

Lorah sorriu maliciosamente, entregando-se ás sensações sem mais nenhum pudor. O que quer que fosse aquilo, ela se permitiu ser abraçada, ser envolvida por aquela sensualidade e sedução audaciosa que prometia mergulhá-la numa banheira de sensações irresistíveis.

Aquilo era vida.

O prazer sedutor de se viver.

E ela não desperdiçaria sequer um minuto de sua nova vida.

 

 

Luke estranhou sua presença àquela hora.

Talvez fosse o vestido vermelho que usava, o batom exagerado, o fato de não ter avisado que viria ou talvez ela ter tido o atrevimento de visita-lo na casa de seus pais.

Ela não se importava.

Tudo o que se deu conta foi de que vê-lo ali, na sua frente, despertou a fome que antes a incomodava. E ela duvidava muito que um pedaço de carne crua fosse aplacar o monstro que surgia das profundezas de sua alma.

Aquele era um tipo muito particular de fome.

– Lorah. – ele curvou os lábios num sorriso surpreso.

Ela sorriu, bebendo a beleza dele.

Sem dar vez as inquirições dele, Lorah avançou e capturou sua boca num beijo atrevido, sugando os lábios finos enquanto ele explorava sua boca com a língua.

– Isso é uma surpresa. – disse Luke, ofegante.

– Sinto fome. – Lorah disse, alcançando o membro dele sob a calça.

Luke sobressaltou-se.

– Lorah, o que há…?

Ela não o deixou finalizar qualquer pergunta, apossou-se de sua boca novamente, não permitindo uma recusa. Envolveu-o em suas teias sedutoras, devorando seus lábios e passeando as mãos ousadas por seu corpo mais do que pronto a atendê-la.

Lorah o beijava com selvageria, os lábios bruscos na maciez dos dele. Seus dedos ansiosos puxaram a camisa social que ele usava, fazendo pular os botões.

– Lorah – Luke tentou se afastar. – Talvez não seja uma boa ideia fazermos isso aqui.

Ela sorriu, despertando do desejo sôfrego que a embalava.

– Vamos entrar.

– Meus pais…

– Mais pessoas. – ela sorriu ante a ideia e entrou na residência elegante.

Luke a seguiu, confuso e constrangido.

Lorah pareceu não ligar, seu andar leonino a levou pelo hall até a escadaria elegante da casa.

– Lorah, meus pais estão na sala de jantar…

– Não se preocupe, Luke. Eles sequer notarão nossa presença.

Ela se livrou do vestido vermelho, jogando-o aos pés do rapaz.

Nua, subiu as escadas e se estendeu numa das camas do quarto de hóspedes.

Luke balançou a cabeça, o sorriso travesso brilhando em seus lábios. Apanhou o vestido a seus pés e se lançou escada acima, procurando por sua amante.

A penumbra do quarto incitou seus desejos parcialmente adormecidos. Ele trancou a porta, livrou-se da camisa rasgada, dos sapatos e abriu o cinto.

Lorah se remexeu nos lençóis de cetim, abrindo as pernas num convite tentador ao qual o rapaz foi esperto em não recusar. Mergulhou entre suas coxas gentilmente num ofego tímido. Mas Lorah não queria gentileza e deixou isso bem claro quando afundou as unhas em suas nádegas, impulsionando-o a penetrá-la com força.

Luke não a decepcionou, empenhando-se num ritmo selvagem.

A fome se estendeu dentro dela, enlouquecendo-a.

Suas coxas prensaram a cintura dele e ela impulsionou o corpo para cima, assumindo o controle. Seus olhos claros dilataram, assumindo um brilho estranho. Seus lábios se curvaram num sorriso sensual e pousaram no pescoço quente e macio do amante, deslizando numa trilha ousada que terminava nas proximidades dos pelos que abrigavam seu membro ereto.

Luke a fitava com adoração, ansioso.

Lorah o tomou na boca, sugando o membro ereto com força, deslizando a língua em sua extremidade macia.

Luke ofegou, enroscando as mãos em seu cabelo e guiando-a no ritmo que gostava.

A fome apertou dentro dela, ameaçando dominá-la.

Ela gemeu, sugando-o com mais força.

Podia ouvir o ruído sedutor do sangue correndo pelas veias dele, pulsante no membro que tinha na boca, ameaçando explodir num jato delicioso e dormente.

Ela sentiu a gengiva dolorida alongar seus caninos já pontudos. Garras curvas surgiram onde antes suas unhas retas e pintadas seguravam o membro ereto, ameaçando arranhar a carne macia e pulsante.

Lorah sentiu um formigamento estranho se espalhar por todo seu corpo, intensificando seu desejo e fome.

Ela o mordeu.

Afundou os dentes no membro macio e ereto, explodindo num orgasmo que lhe estremeceu a alma ao mesmo tempo que Luke soltou um grito grotesco que ecoou por toda a casa.

O gosto do sangue explodiu em sua boca, mais poderoso do que o da carne crua, sussurrando promessas nefastas. Lorah fincou as garras no pedaço de carne, arrancando-o do corpo que se sacudia, melecando-se no sangue vivo, vermelho e quente.

Luke balbuciou algo e engasgou-se.

Ela devorou o pênis, arrancando pequenos nacos da carne e fazendo pingar sangue de seus lábios famintos, diante do olhar perplexo do amante.

– Desculpe. Sinto tanta fome… – ela o montou, beijo os lábios pálidos, profanando-os com o sangue.

Passos pesados vieram do corredor e alguém tentou abrir a porta.

Gritos desesperados.

Sussurros frenéticos.

Nada disso a atrapalhou.

Com um olhar faminto, Lorah afundou o rosto no pescoço do amante, afundando os dentes e as garras na carne tenra, arrancando um naco que fez o sangue borbulhar.

O líquido quente empapou seu corpo, escorrendo pela pele delgada, fazendo-a estremecer num novo orgasmo, desta vez mais forte.

A lua brilhava, as pessoas no corredor gritavam, seu amante ofegava e ela se alimentava, libertando a criatura que ameaçava irromper das profundezas de sua alma.

O banquete estava apenas começando. E sua fome era indomável.

 

Continua!

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