Surrender (Pt.3) – Julgamento

Escrito por Lillithy Orleander

anjo

Senti meu corpo se desintegrar como se fosse puxado para um buraco negro. Quando voltei a razão estava diante de Madakian, que tinha lágrimas nos olhos. Ele já sabia.

-Eu não fiz por querer,eu…-Mas não houve tempo para explicações.

-Este são Mharion e Fhilíade, estão aqui para julgá-lo pelo o que ocorreu, Infrit.

Foi tudo que Madakian me disse antes de virar-me as costas.

Mharion tinha os cabelos brancos até a cintura e no meio de sua testa carregava o sigilo dos Consilirarum, responsáveis pelos julgamentos e grandes decisões no plano superior. Ela vestia um vestido de gola alta verde esmeralda,suas asas eram azuladas e seus olhos pareciam duas brasas ardentes  que me faziam crer que a qualquer momento eu entraria em combustão .

Fhilíade também possuía um cabelo comprido,louro e cheio de cachos e assim como Mharion seu sigilo vinha na testa.

Ele vestia um manto prata e suas asas possuíam o mesmo tom azulado.Seus olhos eram negros,mas ainda sim emanava brandura e amabilidade hipnotizantes.

-Infrit,você está aqui para ser julgado pelo ato que cometeu contra Heliandra, seu general e anjo de mesma casta.

Na mesma hora que ele falou o Mercador que tirou o fio de Heliandra apareceu com o mesmo diante de nós.

– Vê? – Era Mharion que tomava o fio entre os dedos-Alguns de nós somos transformados em estrela ou em outras criaturas para embelezar alguns momentos.Mas outros são transmutados em mortais,são o eu chamamos de Mestiços.

– Chamo a nossa presença,Niháde,a Vitentriens.

O frio me subiu o corpo e tive medo de olhar pra trás.

-Infrit, ilihudathy, Masdaracky…

Ela parou e foi na direção do fio na mão de Mharion.

-Heliandra, mestiça, humildade…

Foi tudo o que ela disse.

Fhilíade tomou o fio de Mharion e o amarrou.

– Para fim de glórias, um recomeço de lutas.

Humildade será tua missão general Heliandra.

E soprou o fio,que ficou laranja,pegou fogo e se tornou ouro,caindo sobre as nuvens que se abriam sobre sua passagem.Ele descia em direção á Terra.Heliandra renasceria.

Era verdade não morríamos nunca, apenas transmutávamos em algo novo.

Fhilíade voltou seus olhos para mim,mas a brandura havia sumido.

– Voltemos á você, Infrit.

Senti como se estivéssemos caindo, e lá estávamos  nós de novo no Campo de Batalha. Eu vi a fumaça,os Mercadores, as bestas,Heliandra e eu novamente naquela cena…

Todos assistiam, a cena terminou quando fui puxado, tudo terminou e quando voltamos percebi a presença de mais dois convidados em meu julgamento. Um era Políade que tentou correr em minha direção mas foi impedido por Mharion. O outro fedia a enxofre,tinha seis olhos da cor do ônix,de sua boca saiam presas amareladas e do canto da mesma escorria uma baba que caia corroendo a mesa a frente daquilo. Ele tinha a pele escura e cheia de feridas onde exalava o cheiro de carniça. Eu fiquei espantado por ver um ver tão grotesco e seus olhos apenas me olhavam com desprezo.

-Sou Médrion, chefe das milícias que esse aí enfrentou. – e soltou uma risada de deboche.

E só então, olhando mais além, pude notar uma névoa num canto isolado, que foi virando uma sombra e depois ganhou várias formas. Eram idosos, homens, mulheres e crianças… Mas finalmente ganhou um rosto definitivo.

Grandes olhos azuis, um longo e liso cabelo negro, nariz aquilino, lábios escarlate e uma pele pálida e perolada, num rosto magro, mas simétrico.Ele vestia uma camisa cinza e uma calça preta de tênis, olhou em meus olhos como se fosse um livro e sorriu.

“Niháde” – foi só o que pensei, e ali estava a morte me sorrindo graciosa como se fosse me dar o melhor do presentes. E de fato,mais tarde, ela me daria. eu só não sabia quando e nem como. Mharion voltou a falar.

– Todos vimos o que Infrit fez e ainda que não tenha sido premeditado, deve ser punido e acredito que todos aqui concordam.

Vi Madakian abaixar a cabeça e uma lágrima cair de seus olhos, Políade tentou falar mas Fhilíade não deixou.

– Médrion, é de tua vontade ter este ser para teu exército?

Eu havia me tornado uma barganha entre céu e inferno…

– Não o quero de jeito nenhum, a não ser que seja para desmembrá-lo e fazer dele pedacinhos de anjo, hahahahaha…

– Ele não é uma mercadoria, cara Mharion, ele apenas é um ser que cometeu um erro. Mas se ninguém o deseja para si, eu suponho que tenha a solução.

Madakian olhou Fhilíade agoniado e este só balançou sua cabeça afirmativamente, enquanto Políade olhava de um para o outro sem entender. Fui envolvido num círculo de luz, onde tudo estava sumindo, como se eu estivesse cego, eu estava perdendo os sentidos, mas ainda sim podia ouvir enquanto Mharion dizia palavras que eu não conhecia, mas entendi quando ela chamou Políade e Madakian. Médrion ria enlouquecido com tudo aquilo.

– Agora vai começar o espetáculo.

Aquele homem ou sei lá o que era se aproximou de mim e entrou no círculo.

No mesmo instante a luz virou escuridão, ele tocou em meu ombro e sussurrou um nome.

– Cahlis. – e saiu.

Eu não conseguia falar ou me mover, os próximos a entra no circulo foram Políade e Madakian.

Políade segurou então minha asa esquerda e sussurrou um “Sinto muito”,sem levantar seus olhos do chão. Madakian segurava minha asa direita chorando.e então Fhilíade falou.

– É justo que essa tarefa seja feita por seus mentores e que nesse plano lhe foram queridos.

A partir de hoje Cahlis será teu nome, todos e tudo o que você conheceu fará parte das lembranças de tua amiga vida, Mercador.

Era a primeira vez que eu era chamado disso. Quis procurar Niháde com os olhos mas ainda estava temporariamente pela escuridão.

– Está feito. – disse Mharion.

Então veio a dor.Senti como se enfiassem cem espadas em meu corpo,a luz começou a voltar á meus olhos. Políade e Madakian arrancavam-me as asas,e enquanto arrancavam num lugar nesse mesmo lugar algo fazia força para sair e a dor aumentava. Era uma nova asa,negra e tingida de sangue.O meu sangue,que escorria pelas costas manchando o tal circulo. Meu cabelo embranqueceu e depois começou a escurecer. Meus sigilos pareciam pegar fogo, queimando e sumindo de minha pele, que agora adotava a mesma palidez daquele homem.

Eu quis gritar mas minha voz pareceu estranha. O processo se findava e eu começava a ver as coisas e os seres ao meu redor. Eu estava nu, pois minhas vestes tinham sido destruídas no meio da transmutação. Meu corpo parecia frágil, um corpo mortal. O homem no canto vendo que eu me constrangia (coisa que não acontecia com anjos, por sermos todos iguais, embora nossos nomes  não passassem  essa idéia), trouxe-me um manto e me cobriu.

-Bem vindo! – ele tinha a voz doce e suave, e aquilo teve efeito anestésico em mim e me acalmou. -Você a partir de hoje verá e sentirá coisas muito difíceis de assimilar, mas com o tempo você verá que tudo vai ficando mais fácil. Agora – ele tocou meu peito. – um novo ser ita te acompanhar.

Eu ouvi um leve palpitar,quase parando e então ele me disse.

– Cahlis isso dentro de você é um Coração. Agora você está VIVO.

Eu só não sabia o que ele queria dizer com “estar vivo”.

Eu já não estava antes?

Continua

Comente, diga o que achou! Incentive o autor a continuar escrevendo novas histórias!

2 comentários em “Surrender (Pt.3) – Julgamento

Gostou? Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s