Um pior que outro

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Escrito Por: Alfredo Dobia

— Mas que droga, agora é isso o tempo todo? — levantei da cama chateado com o fato de eu não conseguir seguir em frente e mais uma vez ter sonhado com ela me dizendo que não podíamos estar juntos. Esse maldito dia não sai da minha cabeça, parece fotografia estampada na parede da minha mente. E o pior nem é isso. É facto dela me dizer isso de modo nada ortodoxo. Seus olhos da cor do céu não revelavam nenhuma expressão de tristeza.

Só queria entender, por que, entre tantas opções, ela resolveu machucar uma pessoa que só queria seu bem. As palavras ditas deveriam ter durado. Parecia tão surreal pra acabar assim dessa forma tão frívola.

— Você precisa beber e transar Marcos, já está ficando chato esses seus sonhos com aquela louca, supera logo isso seu octário.

— Vai a merda Andrew! — Eu respondi.

Meu melhor amigo era um cara estranho. Nunca entendi como um ser humano poderia ser tão insensível como Andrew. Nem lembro mais como nos tornamos amigos. Andrew parecia a prova de amor. Faz quase 13 anos que nos conhecemos e nunca o ouvi comentando sobre alguma paixonite. Nem uma de infância se quer. Confesso que às vezes me questiono se ele é mesmo humano.

— Eu falo sério irmão. Você precisa de uma boa rebolada pra esquecer de uma vez por todas ela. Eu conheci uma loira… Hosana nas alturas, cara você vai amar. Ela fez umas coisas com a língua.

Andrew terminou suas palavras empolgado. Lançando sobre mim o olhar de quem quer contar suas aventuras sexuais. E eu perguntava a mim mesmo quando ele começou a se tornar tão escroto.

— Quando é que você vai crescer? — Dessa vez direccionei a pergunta.

— Quando você pegar aquela loira – ele respondeu sorrindo libidinosamente.

— Sério isso?

— Qual é Marcos? — Você sabe que tens que superar. Ela não vai voltar. Essa coisa que você chama de amor não passa de um filme de romance estúpido com gente falando que se ama a cada cinco em cinco minutos. Você anda assistindo filmes errados.

Olhei pra ele e apenas sacudi a cabeça com a insensibilidade dele.

— Olha, deixa eu mostrar-te as fotos dela. — Andrew levou sua mão a mesa e pegou seu telefone. Digitou o código e buscou pela imagem da tal loira em sua galeria. Mas foi interrompido por uma mensagem no messenger.

“O que a gente fez um erro, eu quero contar pra…”

Não consegui ler direito, ele suspendeu o seu telefone mas o nome me parecia familiar, muito familiar.

— Quem é ela? — Eu quis saber

— Ela é ninguém — Marcos respondeu atirando o telefone sobre a mesa e se dirigindo até ao quarto.

Eu poderia jurar que conheço aquele nome. Pressentia que iria me arrepender ao rever a mensagem, mas algo me dizia que me arrependeria ainda mais se não o fizesse. Então retirei o telefone da mesa e tentei me lembrar o código. Errei a primeira vez. Verifiquei se ele não estava vindo e tentei mais uma vez. Outro insucesso.

— Estou ficando velho — Murmurei. Voltei a tentar e dessa vez eu consegui. Mal entrei no messeger uma outra mensagem voltou a entrar.

“Não consigo mais esconder, ele precisa saber a verdade”.

Senti meu coração tilintando. Era um clichê, eu sei, mas ainda assim doía. Meu melhor amigo estava dormindo com ela. Logo ela. Naquele momento me senti vazio. Meu corpo não havia espaço pra sentimentos. Da alma a carne só sentia o nada. Anestesiado a dor e a raiva.

Andrew voltou do banheiro e me pegou com seu telefone em mãos. Ele notou logo que eu descobri. Caminhou até mim e começou a falar…

—  Quer um conselho? — Eu não respondi, mas ele continuou mesmo assim. — Não seja como eu. Estou ficando insensível. Principalmente à dor. Mas quando uma pessoa se torna insensível à dor, ela também se torna insensível ao amor. Falta muito pouco para eu entrar num caminho sem volta. Gosto muito de você para deixar que passa por esse caminho. Mas essa é a minha escolha. Eu apenas cansei de não ser o suficiente e me entreguei. Não sentindo o amor eu também não sinto mais a dor.

Foi a primeira vez que Andrew falou de si mesmo com tamanha seriedade. Mas eu não consegui dar importância. Levantei e ainda com o meu calção e chinelos, peguei meu telefone e meus auriculares. Coloquei no play a primeira música que apareceu na minha playlist. R.Kelly – Same Girl ft Usher e sai. Não sei quem era pior, mas provavelmente era um pior que outro…

A Vila Assombrada – (Capítulo 4)

Capítulo 4 – Humano ou Criatura?

Escrito por: Sweet Zompira

Juliana estava ficando mais desesperada do que já estava outrora. E se outras
criaturas aparecessem agora? O que elas iriam fazer? Pensava ela enquanto insistia em
bater a porta. Dentro da casa dos Dobia, a incerteza o corroía por dentro. Não tinha
certeza se era uma boa ideia abrir a porta de sua casa. Então, com cuidado, soltou os
pregos que prendia a cortina de uma de suas janelas e afastou-a ligeiramente. Apesar da
escuridão, ele se convenceu de que eram as filhas do senhor Anjel. Voltou a prender a
cortina.
— São as filhas do senhor Anjel. Eu vou abrir.
— Alfredo, se algo acontecer connosco, será culpa sua — disse a mulher dele.
Essas palavras o magoaram. Mas não podia deixar de ajudar aquelas meninas. Inspirou
e expirou profundamente e então abriu a porta. — Entrem! — Elas entraram correndo e
ele fechou a porta rapidamente.
— O nosso pai… criatura…e a nossa mãe — disse a Juliana gaguejando.
Alfredo as conduziu até às cadeiras e as fez sentar-se.
— Traga água, por favor — disse à sua mulher. Ela assentiu e foi servir. Alfredo
olhou para as meninas, assustado e preocupado. — O que aconteceu? Porquê tomaram
esse risco? — A mulher lhes deu o copo com água e elas beberam. — Respire devagar e
se acalme um pouco.
— O meu pai transformou-se na Criatura e engoliu a nossa mãe — disse com
lágrimas nos olhos.
— Transformou-se em uma criatura? Tem certeza? — Surpreendido. Isso era
completamente assombroso.
— Foi isso que aconteceu. Ele começou a tossir sangue, depois se contorceu e a
sua forma humana mudou até se transformar na criatura que vimos. Com um dos
tentáculos dele, a criatura matou a nossa mãe — disse a Adriana. Sua voz parecia
automática.
— Meu Deus! — Exclamou a mulher do Alfredo levando uma das mãos à boca.
— Isso é horrível. Ele virá atrás de nós!
— Não. Se elas saíram é porque a criatura não consegue atravessar a porta. Isso
é muito grave — disse transpirando. Olhou para as meninas. — Acompanhem a minha
mulher até o quarto. Eu sei que tudo está muito complicado e difícil, mas tentem
descansar ao menos um pouco. Quando o sol nascer, saberemos o que fazer. Agora não
podemos nos arriscar. A criatura não vai poder sair da casa. — A mulher dele as pegou
carinhosamente e as dirigiu no quarto dos filhos deles. Alfredo sentou-se na cadeira,
cansado, preocupado, surpreso e alarmado. Nunca imaginara que um humano pudesse
se transformar numa criatura da noite. Decidiu então que na primeira hora que o sol
aparecer iria falar com todos os habitantes da vila para chegarem a uma conclusão.

Rostos pasmados, preocupados e cheios de medo olhavam para o Alfredo. Ele
havia convocado todas as pessoas da vila e havia informado o ocorrido.
— E o que vamos fazer? — Perguntou um dos habitantes.
— Eu penso que devemos queimar a casa — disse o senhor Almeida.
— Mas assim as casas vizinhas correriam risco — disse o senhor Zoe.
— Então o que faremos? Não podemos viver com essa situação — disse o
senhor Maquenzo. — Devemos pensar muito bem no que fazer.
— O senhor Maquen… — parou de falar quando ouviu uma mulher gritar.
— Ele está vindo! — Disse a mulher apavorada indicando a porta da casa dos
Anjel. Os homens dirigiram os seus olhares para a porta e rapidamente pegaram suas
armas e ordenaram que as mulheres e crianças entrassem em suas casas. Mic os olhou surpreso. Havia despertado e não havia encontrado ninguém em sua casa. Queria
perguntar sobre elas aos seus vizinhos mas eles pegaram as armas quando o viram.
— O que foi? Porquê estão apontando as armas para mim? — Confuso,
começou a caminhar até eles.
— Não avance! — Gritou o senhor Zoe. Mic parou.
— O que vem a ser isso?
— Você é uma das criaturas. Você matou a sua mulher! — Gritou o Alfredo
com as mãos firmes em sua espada.
— Vocês estão bem? Estão dizendo bobagens. Em minha casa não há nenhum
sinal de nada. Tudo está como sempre esteve — disse indignado. Ora essa! Esses
senhores estão loucos! Pensou ele.
— Vai nos desculpar, senhor Anjel, mas vamos o matar — disse o Alfredo. Mic
sentiu um golpe em suas costas, sentiu-se tonto e caiu no chão.

CONTINUA…

OBS: PT.Português Portugal

Amizade

Por: Bruno Gomes

Se não me falha a memória
Meados de fevereiro
Nascia uma amizade
Com uma mensagem de texto
Na época desempregados
Falávamos madrugada a dentro
O que nos faltava de dinheiro
Sobrava de tempo
Então o tempo passou
Já fazem três anos e meio
As vezes me pergunto
Como é que te aguento?
Na real agradeço a Deus
Brincadeiras a parte
Por ter você na minha vida
Pela nossa amizade

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