A Vila Assombrada – (Capítulo 2)

Capítulo 2 – É só uma História?

Escrito por: Sweet Zompira

A noite não foi boa para os habitantes da vila Uzua, principalmente para a Isvânia e suas filhas que passaram a noite em branco, preocupadas com o pai. O mesmo aconteceu com o senhor Dobia e os outros pais de famílias que haviam estado com o Mic. Assim que o sol nasceu, Isvânia encontrou o senhor Dobia e os outros senhores em sua porta.

— Não posso perguntar se a senhora está bem porque o seu semblante fala por si. Mas posso apenas desejar que tudo fique bem. Em meu nome e em nome de todos os vizinhos.

— Muito obrigada, senhores — disse com as olheiras à espreita.

— Nós vamos voltar para a floresta para procurar pelo senhor Anjel. Faremos todos os possíveis para tê-lo de volta — disse sem muita certeza.

— Eu agradeço ainda mais, senhor Dobia. Espero com todas as forças que ele esteja vivo e bem.

— Então estamos indo — disse o senhor Dobia montando em seu cavalo, os outros vizinhos fizeram o mesmo. Isvânia os olhou cavalgando rumo à floresta. Algumas vizinhas foram a casa dela para a consolar e apoiar.

— O pai vai mesmo voltar? — Perguntou a Juliana. As vizinhas as olharam com lástima.

— Eu não sei, minha filha. Não sei — respondeu a Isvânia limpando as lágrimas com um lenço. Desde que seu marido desapareceu a sua pulsação somente era acelerada como o barulho de um comboio passando pelos caminhos-de-ferro.

— Segundo a história ninguém nunca fora encontrado — disse a Adriana com a voz pequenina. Neste momento desejava com todo o fervor que essa história das criaturas da noite fosse falsa. E que seu pai esteja são e salvo.

— Temos que ter fé, filha — disse uma das vizinhas.

Depois de exaustivas horas procurando, os homens quase desistiram quando ouviram um grito e correram com os seus cavalos até o local de onde o grito vira. O senhor Dobia desceu do cavalo.

— Aqui está o senhor Anjel. Dormindo — disse o senhor Zoe olhando para o Mic, que dormia tranquilamente com uma garrafa de maruvo nas mãos.

— Senhor Anjel! — Gritou o senhor Dobia. Mic despertou assustado. A garrafa de maruvo caiu no chão cheio de folhas.

— O que foi? — Respondeu ele ainda desnorteado. Pestanejou várias e depois olhou ao redor e percebeu que estava na floresta. — Já pegamos as madeiras necessárias?  

— Vejo que o senhor não se lembra do que se passou — falou um outro homem, o senhor Maquenzo.

— Tenho que lembrar-me do quê? — Perguntou levantando-se com grande esforço. — Eu passei a noite toda dormindo. Oh meu Deus! — Exclamou de repente percebendo a realidade. — As criaturas…

— Também queremos compreender como é possível que o senhor ainda esteja vivo — disse o senhor Almeida. A cabaça do Mic começou a doer. Tudo que ele lembra é que depois de pegar a sua parte da madeira, havia sentado ao pé de uma árvore e bebeu o seu maruvo tranquilamente. E depois disso nada. Um branco na sua memória.

— Eu não me lembro de nada. Talvez a história seja mesmo falsa — disse tentando explicar o ocorrido.

— Não creio. Pessoas desapareceram — disse o senhor Zoe. Bastante confuso.

— É melhor voltarmos logo para a vila — disse o senhor Dobia. — Lá conversaremos sobre o ocorrido.

Isvânia mal pôde acreditar que seu marido estivesse frente a ela. Seus olhos se encheram de lágrimas, mas desta vez de felicidade. Mic recebeu os abraços mais sinceros de sua mulher e suas filhas. Os vizinhos também o receberam com alegria. Não levaram muito tempo para conversar porque a situação era muito abstracta. No final, cada um ficou com a dúvida na cabeça: Afinal as criaturas existem ou não?    

CONTINUA…

OBS: PT.Portugês Portugal

A Vila Assombrada – (Capítulo 1)

Capítulo 1 – A História das Criaturas da Noite

Escrito por: Sweet Zompira

Havia uma pequena e antiga vila no meio de uma pequena floresta que ficava em cima de uma grande montanha. Nela habitavam não mais do que vinte famílias, fruto dos seus antepassados. Eles viviam da agricultura e da criação de animais domésticos. Todos os habitantes da vila tinham suas funções – das mais pequenas às mais importantes – até mesmo as crianças. A vila Uzua era protegida por uma grande cerca de madeira que marcava fronteira com a floresta. Eles eram felizes? Sim. Às vezes, mas somente durante o dia. Essa situação se devia ao facto de que todas as casas da vila estavam marcadas com uma cruz de sangue humano na porta. E até ao pôr-do-sol todos tinham que estar dentro de suas casas. Porquê será? Porque quando a noite chegava elas apareciam. Os habitantes nunca as tinham visto mas sabiam que elas existiam, porque sentiam o medo e aberração percorrendo o corpo deles. Eles as chamavam de “As Criaturas da Noite”. Qualquer inocente poderia pensar que era só histórias dos anciãos, mas não era isso que o número de pessoas desaparecidas indicava.

— Pai é verdade que nunca ninguém as viu? — Perguntou a pequena Juliana olhando atenta para o seu pai. O sol já tinha desaparecido e estavam todos em casa, aconchegados à pequena lareira, pois o frio se fazia presente nesta noite.

— Eu não creio que seja verdade. Se ninguém nunca as viu então elas não existem — disse a outra menina, irmã menor da Juliana, a Adriana. O pai delas, Mic sorriu para as duas. Ele sabia que não devia sorrir porque o que ele dirá a elas não se tratava de brincadeira. Mas o álcool percorria já as suas veias devido ao maruvo1 que ele mesmo fizera. Beber era um problema que ele não pensava em deixar. Coisa que irritava bastante a sua mulher Isvânia.  

— Minhas filhas, é verdade. Meus tataravôs foram sugados pelas criaturas da noite. 

— Ainda assim, para mim não parece verdade — falou a Adriana, um pouco céptica quanto ao assunto.

— Cuidado com o seu cepticismo, filha — disse a Isvânia olhando para sua menina. — Ele pode colocar-te em perigo.

— E porquê nunca tentaram matá-las, pai? — Perguntou a Juliana. A curiosidade vivia com ela. Apesar de ser a filha mais velha dos Anjel, parecia ser a menor.

— Nossos antepassados já tentaram, filha. Mas desapareceram como todos que tentaram saber mais sobre elas. O nosso único jeito de nos manter vivos é respeitando as regras da vila. Agora, vão para cama que já está tarde. — Obedientes, as duas irmãs se levantaram do tapete, desejaram boa noite aos pais e foram para o quarto delas. — Nós também temos que ir, Mic — disse a Isvânia levantando o seu marido. Ele sorriu.

— Você é boa mulher.

Na manhã seguinte o sino tocou trinta minutos antes do sol se pôr e todos começaram a preparar suas coisas para levar dentro de casa e fechar as casas dos animais. Quando faltavam mais ou menos dez minutos, um grupo de homens voltava para vila com algumas madeiras. Desceram dos seus cavalos e saudaram as suas famílias. Isvânia se alarmou quando não viu o seu marido Mic.

— Senhor Dobia, onde está o meu Marido?

— Infelizmente o perdemos de vista, senhora Anjel — disse com pesar. — Quando nos apercebemos de sua ausência, procuramos por ele na floresta mas tivemos que voltar por causa do tempo. Sinto muito. — A olhou com dor e culpa. As lágrimas imediatamente tomaram conta dos lindos olhos da Isvânia. — Acalme-se por favor, o sol ainda não se pôs completamente. Talvez o senhor Anjel apareça antes de o sol se pôr completamente. — Isvânia assentiu com a cabeça, mas algo no seu coração a dizia que seu marido não voltaria mais. Com toda a dor, ela entrou em casa junto com suas filhas que também estavam assustadas com o atraso do pai.

CONTINUA…

OBS: PT. Português Portugal

1 – Maruvo é uma bebida de Angola resultante da fermentação da seiva das palmeiras.

A Fome – (Part. 1)

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Capítulo 1 – Libertada

Escrito Por: Alfredo Dobia

Mamãe sempre disse que não devemos confiar em estranhos. O Mundo está cheio de maldade e nunca sabemos quem está por de trás da esquina ao lado. Mas aquele sorriso, aquele maldito sorriso me penetrou da alma a carne. Droga, como fui tola em cair nas cantadas de um garoto como ele. Afinal de contas ele é só mais um garoto. Sou uma menina de 15 anos. Não era suposto eu estar trancafiada em um quarto em pleno sábado a noite quando minha melhor amiga estava completando 16 anos e prestes a perder a virgindade na sua festa de aniversário. Sim, eu sei, vocês podem me julgar agora, eu não deveria desobedecer ela. Suas ordens foram bem límpidas: Rayana Thargon, tranque a porta e não saia mesmo que ouvires gritos na rua. Minha mãe sempre falava isso todo sábado a noite. Mas ela não sabe o quão silencioso e solitário é esse lugar, então aqui estou eu agora. Aproveitando a uma hora que ela disse que estaria fora, para ir direito a casa da Sophie.

De longe podia ouvir o som vibrante das colunas dos Jhonson. Eles sempre mandaram bem em não deixar ninguém sentado. E tocar no niver da Sophie era como uma obrigação pra eles. Os gémios sempre tiveram um fraco por ela e com certeza fariam de tudo pra deixá-la feliz. Esperei anciosa pelo refrão, sempre gostei do Bruno Mars e Locked Out Of Heaven era uma das músicas dele que eu mais amava
“Cause you make me feel like,
I’ve been locked out of heaven.
For too long, for too long Yeah.
You make me feel like,
I’ve been locked out of heaven´´…

Cantava conectada a música

– Nossa, olha só quem está aqui – disse o garoto do sorriso pecaminoso, segurando a minha sintura enquanto descia do meu skate e me trazia de volta a realidade. – Porque demorou tanto Rayana?
– Você sabe como é minha mãe – eu respondi olhando firmimente para os olhos dele. Senti uma lufada de perigo dentro daqueles olhos. Será que estava mesmo me apaixonando pelo Berthos como a Sophie tem insinuando? Numa coisa ela tem razão. Berthos é uma delícia. Nem todos têm DNA nem capacidade pra ficar tão delicioso quanto ele.
– Vem, eu quero te mostrar uma coisa – ele pediu educadamente e segurando a minha mão.
Meu coração pulsou.
– Eu acabei de chegar e ainda não dei os parabéns a Sophie.
– Não acho que ela esteja precisando de você agora – ele falou sorrindo e olhando pra Sophie que conversava com o crush dela.
Senti-me feliz ao ver que ela estava se divertindo.
Berthos me puxou pra junto de si e isso fez meu sangue ferver. A gente foi até ao carro dele. Ele alcançou uma caixinha misteriosa do banco de trás
– O que é? – Indaguei.
– Abre.
Assim que o fiz, meus olhos tilintaram de felicidade. Era um cachorro muito lindo.
– Sophie vai adorar. – Eu disse.
– Não é pra ela. Eu já entreguei o presente dela .
– Eu e ela não fizemos aniversário juntas.
– Eu sei. – ele respondeu.
O Cachorro me encarou firme nos olhos e foi ali onde as coisas começaram. Ele começou a ladrar pra mim, como se estivesse assustado. Eu tentei passar a mão na cabeça dele, mas ele urrou pra mim e quase atacou minha mão. Berthos não me pareceu surpreso. O cachorro saltou das mãos dele e naquele momento algo estranho aconteceu, minhas mão passaram no pescoço do cachorro e sangue se esvaiu em direcção ao meu rosto. Olhei pra minha mão e pareciam garras.

Uma estranha sensação de fome invadiu meu estômago. Foi aí então que dentes fortes cresciam da minha boca, rasgando meus maxilares de forma horripilante. Agarrei no cachorro que dava os seus últimos suspiros e mordi-o, mordi-o tão forte que a cabeça se separou do corpo. Berthos abriu um sorriso pra mim, como se esperasse aquilo. Estava confusa, mas queria mais, queria sangue, queria carne e dessa vez não de um cachorro. Eu queria o sangue dele, a carne dele… então ataquei-o. Mas ele rompeu a porta do carro com uma força que não parecia natural.
Logo a seguir ele apertou meu tronco e aquilo fez eu cair e enquanto sentia meu corpo neutralizado, eu ainda podia ouvi-lo:

– Você foi libertada e agora não tem como voltar atrás. Descanse Rayana, eles estão esperando por ti. Mas eu estarei lá. Eu vou cuidar de você.
E assim, eu apaguei…

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Carta de Despedida parte 2

Por: Bruno Gomes

Não sou aquela,
Que eu queria ser.
Não adianta explicar,
Ninguém é capaz de entender….

Quem eu queria ser está perdida,
Sequer posso lembrar na verdade.
Em busca dela fui,
Até perto da insanidade!

Respiro minha essência ,
Mas não sei qual cheiro minha alma exala .
Tento saber quem sou,
Mas a muito, o meu eu não fala nada.
Provo o veneno diariamente,
Mas do meu ego não sinto sabor,
Até tento pintar meus dias,
Mas ainda sim, eles permanecem incolor.

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